Com a ajuda do ‘NG Solidário’, foi operado a um tumor

Criança encontra solução no Brasil

Após tentativas entre Angola e a África do Sul, Arão Manuel, de oito anos, foi operado, com sucesso, a uma linfangioma no braço esquerdo, no Brasil. Com apoio do Nova Gazeta, encontrou ajuda que lhe permite hoje sonhar já em estudar e “ser motorista”.

Criança encontra solução no Brasil

Domingos ManuelPai do menino

Além das ajudas conseguidas em Angola, no Brasil, pai e filho conseguiram adquirir dupla nacionalidade.

Em princípios de 2017, o NG revelou a história de Arão Manuel, de oito anos, que necessitava de ajuda para fazer uma cirurgia no Brasil. No espaço solidário do jornal, o pai pedia ajuda. O apelo resultou. O menino fez as cirurgias com o apoio do deputado do MPLA Bento Raimundo, do presidente do Conselho de Administração do Banco Sol, Coutinho Nobre Miguel, que disponibilizou o equivalente a sete mil dólares para despesas correntes, do administrador do Porto de Luanda João de Oliveira Barradas e da AJAPRAZ.

O Ministério da Saúde limitou-se a informar que tinha parcerias médicas com o Brasil, EUA e Cuba. Um outro grupo de especialistas, vindo da Alemanha através do projecto Kimbo Liombemwa, colheu amostras de sangue, mas não encontrou solução.

O menino, que não podia sequer andar com o tronco recto, recuperou os movimentos no braço, deixou de andar inclinado, já brinca, não sofre mais discriminação e não tem febres. Agora, já em Angola, necessita de um fisioterapeuta.

Além das ajudas conseguidas em Angola, no Brasil, pai e filho conseguiram adquirir dupla nacionalidade. Postos no Brasil, foram ‘acolhidos’ por órgãos de difusão locais, que os entrevistaram e apelaram a mais ajudas. O governo brasileiro conseguiu que a família ficasse hospedada numa casa de apoio e um pastor da ‘Igreja Nação Eleita’ prontificou-se a apoiar durante um ano e três meses, com alimentação, hospedagem e transporte. O menino recebeu ajuda da sociedade brasileira, tendo direito a um cartão SUS (Sistema Único de Saúde) que evitou pagar o tratamento avaliado em mais de quatro milhões de kwanzas.

Durante sete meses, fez exames. Depois teve de apanhar 24 ampolas que culminaram na desinflamação do braço. Passados dois meses, fez a primeira cirurgia, em Dezembro de 2017, e em Abril. Logo na primeira cirurgia, foram-lhe tirados tumores no braço, antebraço e na mão.

O menino deve regressar para o Brasil dentro de um ano, para o controlo. Mas tem de ser seguido ou acompanhado por um fisioterapeuta que vai ajudar e eliminar os restantes líquidos que sobraram no braço. Os pais já pensam em pôr o menino a estudar.

 

Lembranças

Em Angola, os médicos aconselharam a amputar o braço, mas a persistência do pai, Domingos Manuel, fez com que procurasse ajuda além-fronteiras e encontrou-a no Brasil. Nessa altura, Arão Manuel nem conseguia brincar e dependia completamente dos pais para poder movimentar-se. Hoje, já com sorriso no rosto, sonha em estudar e “ser motorista”.

 

Breve historial

Arão Manuel nasceu com linfangioma, uma anomalia nos vasos sanguíneos. A doença gerou um tumor que, apesar de ser benigno, se desenvolve com o crescimento da criança, provocando dores e restringindo algumas acções. Em Angola, passou pelos hospitais ‘Maria Pia’, ‘David Bernardino’ e Militar. Na África do Sul, durante dois anos, prometeram fazer um estudo para encontrar uma solução e, por uma medida cautelar, foi-lhe aplicada uma injecção para evitar dores e o crescimento do braço.

 

Doença rara

Linfangiomas são malformações da rede vascular linfática que resultam num tumor benigno, que atinge recém-nascidos. Afecta qualquer órgão ou tecido, sendo mais comum na porção cefálica, local onde recebe o nome de higroma cístico. Neste local, podem causar deformidades, disfagia, disartria, disfonia e favorecer infecções recorrentes.

 

Contacto do pai: 994 58 65 17

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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