Em alusão ao Dia da Cultura Nacional

Memórias de Neto analisadas na visão futurística

O ensino das línguas nacionais, a angolanidade e universalidade na poética de Agostinho Neto e as suas memórias foram temas de debate durante o colóquio sobre ‘Agostinho Neto e a Cultura Nacional’, que se realizou esta quinta-feira em alusão às festividades do Dia da Cultura Nacional.

Memórias de Neto analisadas na visão futurística
Santos Samuesseca
O certame teve o objectivo de perpetuar a memória de Neto

Em alusão às festividades do Dia da Cultura Nacional, que se assinalou esta quinta-feira, 8, realizou-se o colóquio sobre ‘Agostinho Neto e a Cultura Nacional’, no Memorial Dr. António Agostinho Neto. O certame teve, de entre outros objectivos, divulgar e perpetuar a memória do primeiro Presidente de Angola, mostrar a angolanidade e universalidade na poética de Agostinho Neto e o ensino das línguas.

Segundo o académico Cornélio Calei, a Esperança de Agostinho Neto perpassa o 11 de Novembro e o 4 de Abril e lança outras esperanças ainda não despoletadas, a afirmando que toda a história tem uma corrente de rupturas, sendo que o que não foi bem feito tem de o ser, porque é um infinitamente grande.

Cornélio Calei, que já foi secretário de Estado da Cultura, defende que, independentemente da globalização, não corremos o risco de sermos arrastados pelo aculturação, porque há continuidade de pessoas a preservar a cultura.

Já Luís Mendonça, escritor e director do jornal ‘Cultura’, defende que se poderá perder todo um legado cultural e antropológico deixado pelos povos que habitaram Angola, pois o mesmo não é divulgado nem estudado nas academias. “Há muita lacuna neste aspecto. Os grandes músicos que têm mais fama cantam músicas ocidentais. A globalização é uma grande predadora. Nós não temos contacto com África, nós temos contactos com o ocidente e o Brasil”, reforça Mendonça, acreditando que a colmatação passa pela diplomacia cultural, começando pelos adidos culturais, embaixadas, televisões e rádios.

Nem tidos, nem achados

José Luís Mendonça lamenta que, enquanto académicos, “estejam relegados ao esquecimento” e queixa-se de não haver diálogo entre os estudiosos e os políticos, pelo

que propõe que o Ministério do Ensino Superior crie o ano propedêutico só de Língua Portuguesa, porque, entende o poeta, “está toda estragada, consumida e deteriorada e, ainda assim, ninguém quer saber.”

Arlindo Isabel docente e director da Editora Mayamba defende, por sua vez, que a dificuldade na transmissão da língua nacional começa nas famílias e no ensino de base, começando pelas creches, até ao ensino primário, uma vez que, para si, no ensino superior não é para aprender a língua, mas, sim, trabalhá-la enquanto ciência. “Apesar dos 43 anos de independência, as línguas nacionais ou angolanas ainda não têm verdadeiramente o direito de cidadania”, remata

Para a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, as políticas culturais devem ter impacto na economia criativa e na educação cultural, sendo que, para o efeito, há a necessidade de mobilidade dos artistas e das suas obras, por se tratar de uma “premissa crucial para a heterogeneidade de ideias”.

Segundo a dirigente, que falava na abertura do colóquio Agostinho Neto e a cultura, desta forma, poderá fazer-se “a promoção da cultura como fonte de desenvolvimento sustentável, procurando no sector privado a sustentação para o incremento das redes de intervenção e de realizações”.

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