Taça de taekwondo provoca chuva de acusações

Troca de golpes entre selecção e federação

O torneio de taekwondo, realizado em Luanda, está envolto em polémicas. A selecção da capital acusa a federação de se ter apoderado de equipamentos e de ter humilhado os atletas. Os dirigentes federativos consideram as declarações “difamatórias”.

Troca de golpes entre selecção  e federação

Pedro Panzo e Hernâni DavidTreinador da equipa de Luanda e atleta da selecção de Luanda

O atleta acusa a federação e a associação de terem tido " uma atitude intimidatória" para com os atletas no hotel. A federação devia sentir-se envergonhada de se ter apoderado dos fatos de competição.

 

 

A selecção de Luanda, vencedora da 5.ª edição da taça ‘Embaixador da Coreia do Sul’, acusa a Federação Angolana de Taekwondo de se ter apoderado dos ‘doboks’ (fatos de competição) e de alguns meios electrónicos, como telefones e tablets, que foram os prémios recebidos pelos vencedores. Os integrantes da selecção contam ainda que, durante a preparação, faltou de tudo um pouco, como água, espaços em condições para treinar e até alimentação.

O treinador de Luanda, Pedro Panzo, ao NG, queixa-se de terem sido humilhados pela comissão organizadora. Por isso, escreveu cartas de protesto à embaixada da Coreia do Sul e à federação angolana da modalidade. Caso não receba respostas, a próxima edição poderá não contar com a selecção da capital. O seleccionador sublinha que a federação “devia sentir-se envergonhada de se ter apoderado dos fatos de competição” que, segundo o técnico, foi uma oferta da embaixada sul coreana.

E, sendo Luanda campeã da competição, garante que os atletas não sentiram os benefícios da conquista, apenas o “desrespeito e a humilhação” foram os prémios alcançados. Pedro Panzo jura ainda ter ouvido do embaixador que os ‘doboks’ seriam destinados aos atletas que representaram as sete províncias, Huíla, Huambo, Malanje, Benguela, Moxico, Uíge e Luanda. No entanto, “para o espanto de todos, a federação ficou com os equipamentos, criando um clima de descontentamento”.

 

Contra-ataque

federativo

António Armindo Panguila, vice-presidente da Federação Angolana de Taekwondo, director da prova, em declarações ao NG, rebate as acusações e garante serem todas falsas. O dirigente, mais conhecido como ‘mestre Panguila, sublinha que a linguagem usada do treinador de Luanda “não combina com o espírito da modalidade” e considera-a uma “difamação”. Explica que a embaixada da Coreia do Sul doou à federação 100 ‘doboks’, seis protectores de peito, seis caneleiras e um equipamento electrónico. E assegura que os atletas foram avisados que os fatos teriam de ser devolvidos após as competições. Mestre Panguila garante que os 100 ‘doboks’ vão ser distribuídos às associações para serem usados pelas selecções provinciais.

 

Sem transportes

Além das queixas por causa dos equipamentos, os atletas, que representaram Luanda, sentiram-se os mais prejudicados. Um deles, Hernâni David, afirma ter recebido “muitas promessas que não foram cumpridas” e que ele e os colegas foram escorraçados do hotel pela organização do torneio. Muitos não conseguiram jantar, tratar da higiene pessoal nem cuidar das lesões. Depois da competição, e postos no autocarro, o motorista deixou-os numa das paragens próximas do aeroporto e cada um procurou alternativas para chegar a casa. “Fomos tratados como lixo”, queixa-se Hernâni David.

O atleta acusa ainda a federação e a associação de terem tido “uma atitude intimidatória” para com os atletas no hotel, onde fecharam as portas dos quartos, avisando que ninguém podia sair sem deixar os fatos de competição.

Apesar de receber medalhas e diplomas, Hernâni David e os colegas lamentam terem terminado a competição “frustrados” por não terem recebido da organização qualquer prémio de incentivo e lembram que os desportos de luta são modalidades de alto risco, causando lesões graves.

O atleta garante ainda não terem recebido qualquer apoio da Associação Provincial de Taekwondo de Luanda e que, durante a preparação, treinaram em recintos sem condições, em que “até a água faltou. “Vivemos uma autêntica humilhação”, lamenta. O torneio de taekwondo, criado para promover o intercâmbio cultural e desportivo entre Angola e a Coreia do Sul, tem uma periodicidade anual. A 5.ª edição foi disputada por 41 atletas, em representação de Luanda, Huíla, Huambo, Malanje, Benguela, Moxico e Uíge.

O taekwondo é uma modalidade desportiva de origem coreana e pretende desenvolver a defesa pessoal.

 

VERSÃO DA ASSOCIAÇÃO

Também o director técnico da Associação Provincial de Luanda de Taekwondo entende que as reclamações “não têm qualquer fundamento”. Segundo Estanislau Mateus, “não houve maus tratos” aos seleccionados da província de Luanda, conforme alegam os atletas e garante que todos foram informados pela organização que, após o fim do torneio, os ‘doboks’ teriam de ser devolvidos. “Era para o apoio da prova e não para os atletas”, reforça o dirigente associativo.

Estanislau Mateus sublinha que, em momento algum, os atletas foram fechados no quarto de hotel, mas reconhece que alguns atletas foram forçados a ceder os equipamentos, porque “mostravam uma certa resistência” e até se “encaminhavam para o autocarro levando-os com eles. O líder da associação de Luanda confirma que a sua organização recebeu da federação sete pares de equipamentos conforme a promessa do órgão federativo.

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