Postos de transformação vandalizados e roubo de cabos

Governador de Luanda exige fiscalização

Os roubos de cabos eléctricos e destruição de postos de transformação de energia são mais frequentes em Cacuaco, Viana, Talatona e Belas. A ENDE garante que a situação é nacional. O governador de Luanda denuncia que os produtos são vendidos no mercado do Kifica e em empresas estrangeiras.

Governador de Luanda exige fiscalização
Mário Mujetes
Adriano Mendes de Carvalho

Adriano Mendes de Carvalho governador de Luanda

A cidade fica menos iluminada e a população revoltada por não ter energia eléctrica. É uma situação triste.

Quem circula na Via Expressa, de Cacuaco até Benfica, observa um cenário de destruição dos postos de transformação de energia, postos caídos e cabos arrancados. A Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) estima que, de 2016 até o primeiro semestre de 2017, perdeu mais 1,5 milhões de kwanzas com a “vandalização e roubo” de material eléctrico da rede de iluminação pública, em Talatona, Belas, Cacuaco e Viana. De acordo com um documento da ENDE, a situação, apesar de ser observada com “maiores índices em Luanda, já é nacional”. Nas restantes províncias, “há relatos”, apesar de não serem quantificados no documento.

Os materiais mais vandalizados e roubados são cabos de electricidade de cobre e alumínio, armários de seccionamento, fabricados pela empresa Efacec e postos de transformação e de distribuição. De acordo com a ENDE, as zonas com “maiores danos”  são a via expressa Cacuaco até Benfica, no Camama, Kilamba, sobretudo em que se destaca a “vandalização de mais de 70 equipamentos como cabos, postos de transformação e armários de seccionamento, fundamentais para o transporte e distribuição de electricidade”. De acordo com o documento, os cabos de cobre e alumínio são comercializados para fábricas em Viana e Cazenga, que os fundem, transformando-os em alumínio, vendido no mercado informal ou exportados.

Na siderurgia ‘Best Metal’, propriedade de indianos, situada no Pólo Industrial de Viana (PIV), durante a visita, em Janeiro, realizada pelo governador de Luanda, Adriano Mendes de Carvalho, foi detectada a presença de cabos eléctricos, postos de transformação e outro material ferroso, supostamente comprados por pessoas que “vandalizaram” os bens públicos. A situação fez com que o governante proferisse críticas aos administradores distritais, acusando-os de “desleixo” por “não estarem atentos” ao que acontece nas suas edilidades.

O governante reconheceu que o roubo de cabos eléctricos aumenta o índice de delinquência. “A cidade fica menos iluminada e a população revoltada por não ter energia eléctrica”, salientou, para depois acrescentar que “é uma situação triste”. Adriano Mendes de Carvalho desafiou os responsáveis dos municípios “a exigir um alvará” comercial para saber que tipo de empresas, “em que circunstâncias estas pessoas conseguem o material, onde é vendido e se cumprem todos os requisitos legais”, sugeriu. A caravana do governador constatou também, no Cazenga, a mesma acção numa empresa turca.

O governador de Luanda ilustrou que tem informações de que no mercado do Kifica, no Benfica, é outro local em que os produtos são comercializados sem que as vendedoras “saibam que os produtos são roubados na via pública”. Adriano Mendes de Carvalho lembrou que, ultimamente, Luanda tem registado com “desagrado e preocupação, o vandalismo de bens públicos”, o que deve merecer reflexão por parte de todos.

Há duas semanas, o posto de transformação de energia que abastecia a Baía de Luanda foi vandalizado, tendo sido roubados os cabos eléctricos e o gerador.

Estrangeiros detidos

Em Agosto, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) deteve, em Luanda, quatro estrangeiros, Mamadou Keita e Cheick Hamallah, malianos, Noum Diakite e Ousmane Sankara, da Costa do Marfim, acusados de roubo de cabos eléctricos. Na operação, segundo o SIC, foram apreendidos 300 metros de cabos eléctricos de alta tensão, uma máquina trituradora de metais e três cabines da Angola Telecom “desmanchadas”. No mesmo documento, o SIC anuncia também a detenção, em Malanje, dos angolanos Domingos Fernando Graça e Domingos António Moisés, residentes no bairro da Maxinde. Na operação ‘Corvo’, em Julho, foram apreendidos cerca de 70 contentores com cabos eléctricos e material ferroso, segundo o relatório avaliados em mais de 50 milhões de kwanzas.