O homem que sofria de mau hálito

No princípio, era só um nguto de leve! O homem precisava só de pastilhas ou jinguba para disfarçar o quibuzo!

Com o tempo, entretanto, o bafo atingiu níveis históricos. O mau hálito era tanto que os vizinhos se limitavam a dirigir-lhe um aceno e, quando o homem tentasse abrir a boca para dizer “bom dia”, os outros se lançavam logo para dentro de casa, eh, cuidado, fecha a porta, rápido, rápido…

No táxi, havia passageiros que lhe ofereciam dinheiro só para não terem de viajar juntos! Extremamente grosso e denso, o cheiro que o senhor expelia, dizem os que o conheceram, dava a sensação de lhe terem implantado um esgoto no lugar da boca. Na igreja, receando que o tipo fosse afugentar os outros crentes, o pastor ignorou o risco de perder as generosas quantias que o homem depositava no balaio e deu-lhe um ultimato por telefone, ó irmão, vê lá se tratas dessa tua kibuzada, pah, assim também não, o homem não vive só de fé ou pão, a higiene também conta.

O destino desse cidadão, de quem nunca chegaremos a descobrir a identidade, viria a mudar quando a condição dele foi comunicada ao Governo, despertando ideias incríveis em dois ministros, nomeadamente o dos Assuntos Bilingais, Tretas e Simulação, assim como no político que dirigia o departamento ministerial responsável pelo Branqueamento de Falcatruas e Conexos.

Antigos moradores de um mabululu, tendo subido na carreira graças a um arrivismo fortificado com miscaria de origem desconhecida, os dois governantes contrataram o senhor do mau hálito para exercer a função de ‘agente especial de desestabilização externa’. “A tua missão” – começaram por dizer os dois mijagrossos – “é viajar como representante do nosso país naquele importante encontro internacional e abrir a boca no exacto momento em que se aproximar a assinatura de acordos, evitando que tal aconteça.”

Entretanto, horas antes da viagem, o homem, pretendo estar à altura do seu novo cargo, banhou-se com as famosas folhas de cura-tudo e mastigou quarenta e dois quilos de gengibre. O acordo foi assinado com sucesso e o chefe de governo despediu os ministros, ordenando a fusão dos dois departamentos, cujo líder actual é um tipo que, em tempos, já respondeu pelo nome de senhor da boca suja.