Durante a abertura das jornadas parlamentares do partido

Presidente da UNITA afirma que regime angolano protege quem roubou

O presidente da Unita, Adalberto da Costa Júnior, afirmou hoje na abertura das Jornadas Parlamentares do principal partido da oposição, que "de pouco adianta gritar o combate à corrupção" quando o regime protege os que roubaram.

Presidente da UNITA afirma que regime angolano protege quem roubou
D.R
Adalberto da Costa Júnior, líder da Unita

"De pouco adianta gritar o combate à corrupção como uma bandeira quando o mesmo regime protege atores do roubo e impede o normal funcionamento das instituições", destacou hoje Adalberto da Costa Júnior, no Sumbe, Kwanza-Sul.

O líder da Unita afirmou que o grupo parlamentar insiste em ser parte observadora no acompanhamento dos processos na luta contra a corrupção e lamentou que estejam "escondidas nas gavetas dos dirigentes da Assembleia Nacional" as conclusões das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), com "nomes sonantes", e que tinham sido remetidas antes do combate à corrupção se ter tornado oficial.

Segundo o presidente do partido do ‘Galo Negro’, em causa estão "nomes e actos violadores da lei e escandalosos desvios ao erário", com nomes dos autores, casos que ocorreram com a CPI ao Banco Espírito Santo de Angola (BESA), à Sonangol, ao Fundo Soberano e à divida pública.

O líder da Unita abordou ainda o problema da "violência gratuita contra jovens que se manifestam e contra as mulheres", apontando o caso de uma jovem de 30 anos, morta há poucos dias por um agente da polícia, no Bengo, apelando a mais respeito pelos cidadãos e pelos seus direitos.

Entre os desafios que o país vai enfrentar este ano, Adalberto da Costa Júnior focou a reforma do Estado, nomeadamente a revisão da Constituição e a realização das eleições autárquicas, acusando o governo e o partido que o suporta, o MPLA, de terem "medo das autarquias" e preferirem "trair a vontade dos angolanos".

"Temos de trabalhar para salvar Angola de mãos reféns, usando órgãos de soberania como a Assembleia Nacional e os tribunais, sem coragem para contrariarem as ordens superiores que persistem", pediu aos seus correligionários.

 

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