Na Huíla, Luís Nunes ‘arruma’ a casa

Num mês, três mexidas no governo

Há um mês no cargo, o novo governador da Huíla, Luís da Fonseca Nunes, está a fazer uma verdadeira limpeza no governo provincial e mexeu, pela terceira vez, no elenco deixado pelo antecessor, Marcelino Tyipinge. Nas nomeações, saltam à vista nomes de jovens tecnocratas que nunca fizeram parte do aparelho governativo.

Num mês, três mexidas no governo

Nomeado em Setembro por João Lourenço, Luís Nunes é o maior empresário do sul de Angola e conhece bem os vícios que enfermam a governação huilana. Por isso, propôs-se fazer uma autêntica varredura ao executivo do anterior governador.

Na primeira mexida, apenas com uma semana no cargo, afastou o então director do gabinete da educação, Américo Chicote, detido na penitenciária do Lubango, arrolado num processo-crime sobre um suposto desvio de fundos públicos.

Para o seu lugar, nomeou Paula Joaquim, que até então ocupava o cargo de directora do comércio, indústria e recursos minerais, posto para o qual indicou Manuel Machado, até então um desconhecido nas lides da administração pública.

Foram ainda exonerados o director do gabinete provincial de infra-estruturas e serviços técnicos, António Abílio, substituído por Rosário Ima Panzo, que ocupava o gabinete provincial para o desenvolvimento económico integrado, para onde está nomeado Nandim Capenda. 

Na passada semana, o governador afastou o director do gabinete do planeamento e estatísticas, António Ngongo, muito próximo de Tyipinge; o director do gabinete jurídico, Nivaldido dos Santos; o responsável de seu gabinete, João Pacheco; da inspecção, Hélder Lourenço; da administração municipal de Quilengues, Armando Vieira; da cultura, turismo, juventude e desportos, Joaquim Tyova; da Agricultura, Lutero Campo; da secretaria-geral do governo (cargo que ocupou por apenas três meses), Wilson Hermegildo; da administração de Caconda, Mariana Soma, e do Lubango, Francisco Barro.

Nomeou Manuel Luzolo, para o Plano; João Pacheco, para o gabinete jurídico; Lisender André, para a assessoria jurídica; Américo Gomes, assessor para a área social; Mariana Soma, para a agricultura, floresta e pescas; André Adriano, para director do gabinete do governador; Osvaldo Lunda, para a cultura, turismo, juventude e desportos; Armando Vieira, para administrador do Lubango, e Joaquim Tyova, para Caconda.

Foram ainda nomeados António Bendje, para o gabinete de inspecção do governo, e Anselmo Vasco, para secretário-geral do governo.

Luís Manuel Nunes, de 58 anos, nasceu numa família abastada, é natural de Caconda, e é o 12º governador da Huíla, onde se forjou como empresário de sucesso, gerindo um grupo de 12 empresas ligadas ao sector agro-industrial, à madeira, metalurgia, construção e à engenharia civil.

O novo governador é pioneiro na constituição de associações empresariais, impulsionado pelo então comissário provincial da Huíla, Lopo do Nascimento, quando o país optou pela economia de mercado, por obra de José Eduardo dos Santos em 1986, evento que impulsionou a criação da Associação Agropecuária Comercial e Industrial da Huíla em 1991.

Além de empresário e fazendeiro, lidera a Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola e faz parte do comité central e do bureau político do MPLA desde 2004 e é membro do Conselho da República.

Lançou-se no ramo empresarial em 1986 e criou a sua primeira empresa, o grupo Socolil, três anos depois, que hoje emprega mais de três mil pessoas, estimando-se que acumule uma fortuna superior a mil milhões de dólares.

 

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