Vítima de uma paragem cardiovascular

Morreu Amélia Mingas, linguista e docente da UAN

Morreu, esta segunda-feira, aos 73 anos, na Clínica Girassol, em Luanda, a linguista e docente da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto (Fluan) Amélia Mingas, vítima de uma paragem cardiovascular.

Morreu Amélia Mingas, linguista e docente da UAN
Nova Gazeta
Amélia Mingas morre aos 73 anos.

A docente defendia "o desvio ao português de Portugal em Angola como um elemento definidor da norma do português angolano".

Em declarações ao NG, o decano da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto (Fluan), Alexandre Chicuna, afirmou que a morte da professora Amélia Mingas foi uma "triste surpresa", pois, ainda na quinta-feira, a linguista esteve presente na reunião de revisão curricular na Faculdade de Letras.

"Tomei conhecimento da morte da nossa professora, excelente professora, que sempre trabalhou para o bem deste país, na formação de muitos quadros, a partir do Isced e, agora, na faculdade de Letras", lembra, acrescentando que Amélia Mingas deixa um "grande vazio" na UAN. 

Na semana passada, a docente concluiu o módulo de Línguas Africanas e Angolanas no mestrado em Língua Portuguesa e Línguas e Literaturas Africanas. "Nem sei como é que os alunos vão encarar esta notícia. Foi uma grande perda, lamenta, reiterando que a docente foi uma grande investigadora das línguas nacionais e, nos últimos tempos, estava a preparar obras que, infelizmente, "não sei como vão ficar".

Alexandre Chicuna adianta que, segundo a família, "hoje, a doutora sentiu-se mal e partiu para os céus".

Amélia Mingas, regente do curso de licenciatura e docente de Língua Portuguesa, foi o primeiro decano da Faculdade de Letras da UAN, quando foi aberta em 2010, até 2015, além de ser a primeira professora catedrática (ou titular) da UAN. 

Enquanto decana da Faculdade de Letras UAN, Amélia Arlete Dias Rodrigues Mingas, em declarações ao NG, defendia uma “maior aposta” na criação de centros de estudo e investigação e a valorização dos pesquisadores das línguas em  Angola.

Antiga directora executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) defendia, igualmente, "o desvio ao português de Portugal em Angola como um elemento definidor da norma do português angolano".

Sobre o novo Acordo Ortográfico (AO), a linguista chegou mesmo a dizer: "Se for do ponto de vista científico, não há razão para Angola ratificar esse protocolo sobre o AO".

Foi coordenadora do departamento de Língua Portuguesa do Instituto Superior de Ciências da Educação (Isced) de Luanda e directora do Instituto Nacional de Língua do Ministério da Cultura.

Além de trabalhar em investigação, Amélia Mingas foi responsável pela cadeira de Linguística Bantu na Universidade Agostinho Neto.

Entre 2006 e 2010, foi directora executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, com sede na cidade da Praia, em Cabo Verde, tendo defendido o estabelecimento de uma política linguística comum aos oito Estados que têm o português como língua oficial.

Participou em vários seminários e palestras ligados à problemática das línguas africanas e portuguesa, no interior e exterior do país.

Publicou 'Interferência do Kimbundu no Português Falado em Lwanda' e tinha, para publicação, trabalhos de investigação relativos à língua do grupo kikongo, o iwoyo, falado em Cabinda.

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