Organização vai ser criada em Março

Futebolistas vão ter sindicato

Defender e promover os direitos e garantias laborais dos jogadores são os principais objectivos do surgimento do Sindicato dos Futebolistas de Angola (Sifa). Ígor Nascimento, membro da comissão instaladora, garante ter condições. Mais de 80 atletas já se inscreveram.

Futebolistas vão ter sindicato
Mário Mujetes
Igor Nascimento

Igor Nascimentocoordenador da comissão instaladora do SIfa

Até a esta altura, tem mais de 80 inscritos e alguns jogam no Girabola e outros no campeonato português.

Havendo um grande vazio na modalidade com mais praticantes, o futebol, e também devido a divergências e relatos vindos de atletas e clubes, vai entrar em funcionamento, a partir de Março, o Sindicato dos Futebolistas de Angola (Sifa). Ígor do Nascimento, coordenador da comissão instaladora, assegurou ao NG que a mesma “possui pernas para andar” e que “as condições estão criadas para o início dos trabalhos com a eleições dos corpos sociais”.

Entre as atribuições do sindicato, os filiados têm direito à assessória jurídica e fiscal, aconselhamento financeiro, educação e formação profissional, protecção social, saúde e emprego. A criação de uma câmara de resolução de litígios, a implementação de um fundo de garantia salarial e estágios para jogadores desempregados também fazem parte dos planos de acção do futuro sindicato. De acordo com o membro da comissão instaladora, o sindicato “não pretende ser um órgão de conflitos, mas um parceiro como a Federação Angolana de Futebol, clubes e outras instituições que trabalham para o desenvolvimento da modalidade. “O jogador deve ser bem valorizado”, defende Ígor do Nascimento.

Por causa de compromissos de alguns membros, a assembleia constituinte, que estava prevista para a finais de Fevereiro, foi remarcada e deve ser formada em Março, juntamente com a eleição da direcção que deve comandar o Sifa nos próximos quatro anos.

A sede já está instalada numa das salas do estádio ‘11 de Novembro’. O membro da comissão instaladora assegura que tudo tem corrido bem e que os futebolistas, de Cabinda ao Cunene, estão a inscrever-se. Apesar de existir uma associação de antigos futebolistas, da qual faz parte, Ígor Nascimento acredita que cada instituição possui um trabalho social diferente. Até a esta altura, tem mais de 80 inscritos e alguns jogam no Girabola e outros no campeonato português como é o caso de Mateus Galiano, do Boavista, e capitão da selecção nacional.

Os antigos jogadores também são chamados a filiar-se e podem fazer parte do sindicato, que  já recebeu inscrições de Akwá, Miloy, Kikas, Lamá, Irene Gonçalves ‘Demolidora’ e tantos outros num processo que teve o seu início a 20 de Dezembro do ano passado.

 

APOIOS E PARCERIAS

A instituição conta com o apoio institucional da União Nacional dos Trabalhadores de Angola (Unta) que ajudou na estruturação do sindicato, na revisão dos estatutos e em traçar planos de acção do regime eleitoral. O Sifa conta ainda com o apoio da Associação dos Treinadores de Futebol de Angola (Atefa). Já tem agendado um encontro com o presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Artur de Almeida e Silva, para apresentação oficial do sindicato. E do Ministério da Juventude e Desportos foram dadas garantias de apoio institucional.

 

QUOTIZAÇÃO

Para a sobrevivência e sustentabilidade, os membros deverão comparticipar com um valor módico. Segundo Ígor Nascimento,  a quotização vai ser discutida na reunião da assembleia e a comissão instaladora vai levar como proposta de dois mil kwanzas para jogadores no activo, mil para jogadores da segunda divisão e 500 kwanzas para antigos jogadores, uma quota que deve ser paga anualmente. E estão isentos de pagar qualquer quota antigos atletas que estejam desempregados.

Para se inscrever, os candidatos não pagam nada, devendo apenas apresentar duas fotografias do tipo passe e uma fotocópia do bilhete de identidade.

 

EM BOA ALTURA

Vicente Garcia, presidente da Associação dos Árbitros de Futebol de Angola, entende que o sindicato “é uma mais-valia e acrescenta mais um elemento na luta para melhorar as condições das vicissitudes por que os praticantes passam”. Mas lembra que uma organização sindical serve para defender interesses dos jogadores e não os que terminaram a carreira. E aconselha a que trabalhe com a associação dos antigos futebolistas.

Já Joaquim Sebastião ‘Quim Sebas’, antigo defesa central do Petro de Luanda, elogia a criação do sindicato e só lamenta que, no seu tempo de jogador, não tivesse existido uma classe que defendesse os interesses dos atletas, “porque o sistema político não permitia”. Segundo o antigo internacional, por falta destas instituições, muitos dos seus antigos companheiros dos relvados encontram-se a viver “momentos difíceis”.