Há mais de 500 anos

Descobertos ossos de 227 crianças sacrificadas pela civilização Chimú

Foram descobertos, no Peru, ossos de 227 crianças entre os 4 e os 12 anos, que foram sacrificadas entre os séculos XIII e XV, noticiou a agência de notícias peruana Andina.

Descobertos ossos de 227 crianças sacrificadas pela civilização Chimú
D.R.

Em 2018, já tinham sido descobertos dois locais de sacrifício em massa na cidade. Em Pampa la Cruz foram encontrados 56 corpos e em Huanchaquito 140 crianças e 200 lamas.

As crianças terão sido sacrificadas, juntamente com cerca de 40 guerreiros adultos, pela civilização Chimú — que habitava o Peru antes da conquista pelos Incas —, numa tentativa de impedir os desastres provocados pelo El Niño. Esta é a maior descoberta arqueológica de sempre de um sacrifício ritual de crianças.

Os sacrifícios humanos eram uma prática comum naquela civilização e entre 1200 e 1450 terão sido feitos pelos menos quatro sacrifícios em massa, três deles com crianças. Feren Castillo, um dos arqueólogos responsáveis pelas escavações em Huanchaco, disse à AFP que “este é o maior local onde foram encontrados restos de crianças sacrificados”.

Os arqueólogos têm escavado naquele local ao longo do último ano. “Eles eram sacrificados para acalmar o fenómeno do El Niño”, explicou Castillo. “É incontrolável. Onde quer que escavemos, há mais uma criança”, acrescentou, detalhando que as crianças foram encontradas com a cara virada para o mar — e algumas ainda tinham pele e cabelo.

Huanchaco, uma cidade costeira a 600 quilómetros a Norte da capital peruana, Lima, é o local onde mais vestígios de sacrifícios humanos e animais têm sido encontrados. É lá que ficam as ruínas da cidade de Chan Chan — a poderosa capital do reino de Chimú e hoje um dos mais relevantes locais arqueológicos do mundo.

Em 2018, já tinham sido descobertos dois locais de sacrifício em massa na cidade. Em Pampa la Cruz foram encontrados 56 corpos e em Huanchaquito 140 crianças e 200 lamas.

Chan Chan é a maior cidade de argila do mundo e é ainda hoje a principal memória da civilização Chimú, responsável pela criação de grandes obras de engenharia que permitiram levar água aos grandes terrenos desertos ao longo da costa do Peru.

A cidade, centro da elite Chimú, foi conquistada em 1470 pelo imperador Inca Túpac Yupanqui. Ao longo dos últimos 500 anos, a exposição às chuvas e ao vento levou à erosão de muitos dos edifícios e construções, restando hoje apenas vestígios que, ainda assim, permitem entender a organização e funcionamento da cidade.

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