Por roubo de 50 dólares

Condenado a perpétua é libertado

Alvin Kennard foi condenado a uma pena de prisão perpétua quando tinha 22 anos. Agora, aos 58, a sua pena foi revista por um tribunal do Alabama, nos EUA, e irá sair em liberdade. Perante o juiz, o norte-americano pediu desculpa pelos crimes: “Aceito a responsabilidade pelo que fiz no passado. Quero uma oportunidade para corrigir as coisas.” Em causa está o roubo de cerca de 50 dólares de uma padaria, num assalto que não fez vítimas. Antes disso, Alvin tinha sido condenado por outro roubo a uma estação de serviço — que estava totalmente vazia.

Condenado a perpétua  é libertado
D.R.

Em causa está uma antiga lei do estado do Alabama (EUA), entretanto revista, conhecida por 'three strikes law', em que, após três condenações, uma quarta condenação resultaria em prisão perpétua, sem possibilidade de saída antecipada, como explica o The Guardian.

Em causa está uma antiga lei do estado do Alabama (EUA), entretanto revista, conhecida por 'three strikes law', em que, após três condenações, uma quarta condenação resultaria em prisão perpétua, sem possibilidade de saída antecipada, como explica o The Guardian.

No caso de Alvin Kennard, o norte-americano declarou-se culpado de três crimes relacionados com o assalto à estação de serviço vazia, quando tinha 18 anos, e foi condenado a três anos de pena suspensa. Durante esse período foi condenado por um quarto crime — o do assalto à padaria, levado a cabo com uma faca, mas sem causar feridos —, que resultou na condenação a prisão perpétua.

Esta quarta-feira, Alvin teve uma audiência para revisão de pena, onde teve de comparecer algemado. A defesa do norte-americano reforçou que, ao longo destas mais de três décadas, Alvin teve um “comportamento exemplar” na prisão, que não recebe nenhuma ação disciplinar há mais de 14 anos e que é bem visto pelos guardas, segundo conta o site local AL. A advogada Carla Crowder afirmou que o condenado foi “verdadeiramente reabilitado”, reforçou que tem apoio familiar e pediu a sua libertação imediata.

Ainda segundo o mesmo site, o procurador afirmou não se opor à alteração de pena. “Mas deixem-me ser claro: isto não é por causa de 50 dólares”, acrescentou o procurador Lane Tolbert.

O juiz David Carpenter decidiu, assim, aceder ao pedido da defesa e alterou a condenação de Alvin Kennard de prisão perpétua para os 36 anos de prisão que já cumpriu. O condenado, que tem trabalhado como carpinteiro na prisão, declarou ao juiz que tenciona seguir essa profissão em liberdade.

A decisão foi recebida em tribunal com aplausos e gritos de alegria de familiares e amigos de Kennard, como conta o Washington Post. “Lancei as minhas mãos ao alto e disse ‘Deus, obrigada, obrigada'”, contou a sua sobrinha Patricia Jones à rádio WBRC.

A advogada de Alvin, Carla Crowder, afirmou que o seu cliente ficou “assoberbado” com a decisão. “Aquilo que é extraordinário sobre o senhor Kennard é que, mesmo quando pensava que ia ficar na prisão para o resto da vida, mudou a sua vida”, declarou. “Ele está assoberbado com esta oportunidade, mas tem-se mantido próximo da sua família, portanto tem um apoio incrível.”

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