Por causa do aumento do efeito de estufa e concentração de dióxido de carbono

Angola cada vez mais quente

Luanda tem registado um aquecimento acima do normal. A temperatura média atingiu mais dois graus célsius, chegando aos 34 graus. O Inamet realça que Huambo é a província mais fria e Cunene a mais quente. As Nações Unidas destacam que 2018 foi um dos anos mais quentes da história e alertam que o mundo não está a conseguir controlar a subida de temperatura.

Angola cada vez mais quente
Mário Mujetes
Entre 1990 e 2007, houve um aumento de 41% no clima

Nos últimos dias, Angola está a registar temperaturas muito elevadas, que variam entre os 27 e os 34 graus centígrados, aponta o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (Inamet). Habitualmente, a temperatura, por esta altura, varia entre os 19 e os 30 graus, que eram registados em anos anteriores. De acordo com dados do instituto, “raramente a temperatura era inferior a 18 ou superior a 32 graus”. Cunene e Huambo são as duas províncias que se encontram nos extremos. Cunene regista, como temperatura mais alta, 34 graus e Huambo, a mais baixa, 11 graus.

O Inamet considera as últimas temperaturas “fora do comum”. Só em três dias, de 10 a 12 deste mês, foram registadas temperaturas de 34 graus centígrados. Quanto aos períodos mais quentes ou frios, o instituto estabelece que, ao anoitecer e durante a madrugada, as temperaturas tendem a abaixar, com o registo de “aguaceiros”. Durante o período diurno, as temperaturas são mais “altas” devido não só ao sol, mas aos efeitos dos gases produzidos nas indústrias e viaturas.

As Nações Unidas, em relatório elaborado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), apontam 2018 como o quarto ano mais quente da história. Neste ano, explica a organização, as temperaturas foram em média de um grau célsius acima da base pré-industrial entre 1850 e 1900. “Não estamos a atingir as metas de mudanças climáticas e frear as altas temperaturas”, preveniu o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, durante a apresentação do relatório.

A organização alerta que a “concentração de dióxido de carbono bate novos recordes” e que se “a actual tendência continuar, poderemos ver uma ascensão de temperaturas de três a cinco graus célsius até ao final do século”. Aquele responsável acredita que, se todos os recursos fósseis forem explorados, a subida das temperaturas será ainda maior. Segundo a organização, o calor é também acompanhado por outras mudanças climáticas, como a elevação do nível do mar, o degelo em muitas das regiões polares e fenómenos climáticos extremos, deixando “um rasto de devastação em todos os continentes”.

Gases de estufa atingem recorde

Segundo cálculos realizados pela OMM, a concentração de dióxido de carbono atingiu, pela primeira vez, em 2015, a marca simbólica de 405,5 partes por um milhão (ppm). Em 2016, a taxa foi de 403,3 partes. O estudo revela que “não há sinal de que essa tendência seja revertida, o que está conduzir as mudanças climáticas no longo prazo, com o aumento nos níveis dos oceanos, acidificação dos mares e eventos climáticos cada vez mais extremos”.

Os cientistas explicam que a concentração se refere ao volume de gases que ficam na atmosfera depois de um complexo sistema de interacções, entre a atmosfera, biosfera e oceanos. Cerca de um quarto das emissões são absorvidas pelos oceanos e outros 25 por cento pela biosfera.

De acordo com os promotores do estudo, a ciência prevê que as emissões líquidas (o que é emitido, menos o que é absorvido) precisam chegar aos zero até 2050 para que essa subida de temperatura “não supere a marca de 1,5 graus”.

Entre 1990 e 2007, houve um aumento de 41 por cento no efeito do aquecimento do clima, garante a OMM, causado pela longa duração e acumulação de gases como dióxido de carbono, metano e nitroso gerados por actividades industriais, agricultura e residências.

O dióxido de carbono é considerado pelos estudiosos como sendo responsável por 82 por cento do aumento do efeito estufa dos últimos 10 anos. Em comparação ao período pré-industrial, sofreu um aumento de mais de 144 por cento. Com este aumento, o máximo que a terra deve aquecer nos próximos tempos é de 1.5 graus célsius.

 

*com agências

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