Presidente eleito inicia funções a 1 de Janeiro de 2019

Bolsonaro promete “pacificar o Brasil”

O candidato da extrema-direita às eleições presidenciais do Brasil Jair Bolsonaro (PSL), 38.º presidente da República Federativa do Brasil, venceu a segunda volta da votação, domingo (28), com 55,15 por cento, enquanto Fernando Haddad (PT, esquerda), conquistou 46.969.763 votos (44,85 por cento).

Bolsonaro promete “pacificar o Brasil”
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Jair Bolsonaro, novo presidente do Brasil

Na primeira intervenção oficial que fez depois de serem conhecidos os resultados oficiais que lhe garantiram a vitória, Jair Bolsonaro apresentou-se como um “defensor da Constituição, da democracia e da liberdade” — depois de, na campanha eleitoral, ter repreendido o candidato a vice-presidente, que propôs uma revisão constitucional feita por “notáveis”.

O presidente eleito prometeu colocar o “Brasil acima de tudo” no seu mandato e garantiu que as palavras de respeito pela Constituição, com que pontuaria o discurso, são uma “promessa” — não são a “palavra vã” de um homem, mas antes um “juramento” perante Deus.

“Faço de vocês minhas testemunhas de que esse governo será um defensor da Constituição, da democracia e da liberdade. Isso é uma promessa — não de um partido, não é a palavra vã de um homem. É um juramento a Deus”, disse Bolsonaro.

Foi como que uma inflexão retórica face ao percurso que trilhou nos últimos meses, na campanha que o colocou no Palácio do Planalto. Marcado por um discurso que, em vários momentos, deu sinais de colocar em causa direitos políticos e sociais, Bolsonaro garantiu que “a liberdade” será “um princípio fundamental” de um governo “constitucional e democrático”.

“Pacificar” uma “nação livre e próspera”

Bolsonaro não adiantou muito sobre a equipa que vai juntar para conduzir os destinos de um dos maiores países do mundo nos próximos quatro anos. Disse que será um governo formado por “pessoas com o mesmo propósito”, o de “transformar o Brasil numa grande, livre e próspera nação”.

Para isso, o novo executivo vai dar “um passo atrás, reduzindo a estrutura e as burocracias” para “desamarrar o Brasil”. Para trabalhar por um país com “mais Brasil e menos Brasília”, em que as contas públicas apresentem défices mais baixos, dívidas em queda e crescimento a subir. As “reformas” que pretende introduzir vão servir “para criar um novo futuro para os brasileiros”. Para todos eles, insistiu, num discurso apostado na mensagem de união.

De acordo com os dados oficiais, Jair Messias Bolsonaro foi eleito 38.º presidente da República Federativa do Brasil com 57.765.131 votos (55,15%), enquanto Fernando Haddad (PT, esquerda), conquistou nesta segunda volta 46.969.763 votos (44,85%).

Jair Bolsonaro sucede a Michel Temer como presidente da República.

Capitão do exército reformado e defensor da ditadura militar – regime que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985 –, Jair Messias Bolsonaro nasceu a 21 de Março de 1955 e iniciou a carreira política como uma figura caricata de posições extremas e discursos agressivos em defesa da autoridade do Estado e dos valores da família cristã.

Chamado de ‘mito’ e ‘herói’ pelos seus apoiantes e de ‘perigo à democracia’ por críticos e adversários, Jair Bolsonaro está na política brasileira há 28 anos e foi eleito deputado (membro da câmara baixa) sete vezes consecutivas, mas sem nunca ter ocupado um cargo importante no parlamento.

Bolsonaro ganhou notoriedade nos últimos anos e transformou-se num líder capaz de mobilizar milhares de eleitores desiludidos com a mais severa recessão económica da história do Brasil, que eclodiu entre os anos de 2015 e 2016, ao mesmo tempo em que as lideranças políticas tradicionais do país têm sido envolvidas em escândalos de corrupção.

 

 

 

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