No Lucapa, Lunda-Norte

11 pessoas morrem em confrontos entre congoleses e angolanos

Pelo menos, 11 pessoas morreram, na quarta e quinta-feira desta semana, em confrontos entre congoleses democraticos, polícia e civis locais, no município do Lucapa, na Lunda-Norte. O motivo é a resistência dos estrangeiros ilegais em deixar a província. Foi necessária a presença a Polícia de Intervenção Rápida (PIR) para reaver a tranquilidade nesta sexta-feira.

11 pessoas morrem em confrontos entre congoleses e angolanos
D.R.
Polícia garante que está reposta a tranquilidade.

Um grupo de garimpeiros congoleses democráticos começaram na quarta-feira a agredir os nacionais e polícia, em reacção ao apelo das autoridades, para a saída voluntária. Muitos dos estrangeiros alegam ser angolanos, outros procuram convencer que estão legalizados, pelos documentos que apresentam, mas as autoridades não reconhecem. A violência iniciou-se no bairro Roque, no Lucapa, Lunda-Norte. Nesse dia, resultou a morte de um menino angolano, mais tarde, com a intervenção da polícia, dois congoleses foram abatidos. Esta acção provocou revolta entre os locais, tendo estes partido para rixas. Na quinta-feira, oito congoleses e um polícia morreram em confrontos, no bairro Veiga. A seguir, os congoleses, exibindo catanas, enxadas, garrafas e paus, percorriam durante horas as ruas da vila, um sinal de desafio a quem ousasse em resistir. Muita gente não conseguia sair de casa para o serviço ou para a escola, por medo de ser molestado ou mesmo morto. O acto mais arrojado dos forasteiros foi a quase invasão na esquadra policial do município, mas a audácia teve pouco tempo porque chegou do Dundo a Polícia de Intervenção Rápida (PIR), que agora controla a situação.

Esta sexta-feira a vila do Lucapa está mais calma porque a polícia já repôs a normalidade. Muitos estrangeiros estão a deixar as zonas diamantíferas, uns a pé, outros, que podem, regressam de carro pela fronteira. De acordo com a TPA, até agora, cerca de seis mil congoleses regressaram voluntariamente, desde o início da operação.

Os munícipes acusam o governador Ernesto Muangala de ter facilitado a entrada ilegal de congoleses. Referem que a autoridade máxima da província atribuiu terrenos para  habitação, bilhetes de identidade e cartão de eleitor a centenas de congoleses, na última  campanha eleitoral, a troco de votos para o MPLA. Lucapa e Nzagi, município do Cambulo, são as principais zonas de abrigo, por serem de exploração diamantífera. A atribuição é sob pretexto de serem cidadãos retornados.

Só no Lucapa, no âmbito da “Operação Transparência”, a polícia deteve mais de cem estrangeiros de diferentes nacionalidades, que se dedicavam à extracção e compra ilegal de diamantes, segundo o jornal O País. Apreendeu igualmente milhares de dólares, euros, kwanzas e três mil pedras de diamantes, entre outros bens”.

A intervenção das autoridades visa pôr fim ao garimpo ilegal de diamantes, do qual se acredita que seja a principal causa da imigração ilegal.

A operação está a ser desenvolvida por efectivos da Polícia e das Forças Armadas Angolanas, em Malanje, Lunda-Norte, Lunda-Sul, Bié, Moxico e Uíge.

 Pihia Rodrigues

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