Número de óbitos por tuberculose tem vindo a aumentar nos últimos anos

Mais infecções e mais mortes

A tuberculose é a terceira maior causa de morte no país. No ano passado, foram registados mais de 70 mil casos e cerca de 1.500 mortes. As autoridades alertam que os números venham a aumentar, prevendo que neste ano, chegue a cerca de 75 mil casos. Assinala-se a 24 deste mês, o Dia Mundial da Luta Contra a Tuberculose.

Mais infecções e mais mortes
Manuel Tomás
Entre 2013 e 2017, a média foi de 1.300 óbitos, tendo dispar

Nos últimos anos, tem crescido o número de mortes por tuberculose no país. Entre 2013 e 2017, a média foi de 1.300 óbitos, tendo disparado para quase 1.500, no ano passado. Em paralelo, tem também aumentado o número de novos casos notificados. De 2013 a 2018, a média anual foi entre 57 a 60 mil casos. No ano passado, foram 70.362 casos, sendo 8.331 crianças menores de 15 anos.

O chefe de Departamento de Controlo de Doenças da Direcção Nacional de Saúde Pública Pelinganga, Luís Baião, alerta que a tendência é de ano após anos, haver maior número de casos registados. O responsável explica que o surgimento de mais casos poderá estar ligado, por um lado com as condições sociais, e por outro lado, com o melhoramento da cobertura de diagnósticos. “Tínhamos apenas 39 unidades sanitárias a fazerem o diagnóstico.

Temos desde o ano passado, uma orientação ministerial para que todas as 2.904 unidades sanitárias do país estejam envolvidas no tratamento, diagnóstico e tratamento”, explica. “Vamos ter uma cobertura maior”, acredita ao explicar que a cobertura até o ano passado era de 59 por cento.

Dos casos detectados anualmente, cerca da metade abandona os tratamentos, muitas vezes, devido a distância entre a zona de residência e a unidade hospitalar. O médico reconhece a situação e afirma que, a partir deste ano, os serviços estarão mais próximos com o programa do Ministério da Saúde de alargar a cobertura a todas a unidades sanitárias e centros médicos do país.

Pelinganga Baião assegura ainda que os laboratórios estarão nos próximos dias com maior capacitação e preparação para atender os casos de exames de tuberculose. Aguarda-se para até o próximo trimestre a chegada de mais 20 aparelhos genexpert financiado pelo Banco Mundial e que se vão juntar aos outros 27 já existentes e distribuídos em 14 das 18 províncias. O aparelho serve para identificar a resistência da doença. “A ideia é que as unidades sanitárias tenham capacidade para fazer o diagnóstico da resistência da doença”.

Com altos custos

Para este ano, segundo Pelinganga Baião, o orçamento destinado ao Programa Nacional de Combate a Tuberculose é de cerca de seis milhões de Kwanzas, contra os sete milhões de 2018.

Considera a verba “insuficiente”, tendo em conta os altos custos que cada doente acarreta. Por exemplo, um doente com a tuberculose simples gasta em média 500 dólares para um tratamento de seis meses. Por sua vez, um doente com a tuberculose multirresistente, o custo chega a ser mais elevado: dois mil dólares em cerca de dois anos. “É muito mais oneroso para os cofres do Estado”, assegura. “Este dinheiro não chega, se olharmos para o número de casos. Estamos apenas falar de tratamento medicamentoso, temos ainda os exames complementares, a alimentação, suporte vitamínico e outros tratamentos adicionais”, reforça.

A DNSP tinha entre 2013 e 2017, uma média de 1.540 casos de tuberculose multirresistente. Em 2018, o número disparou para 8 mil. “É uma situação preocupante”, avisa Pelinganga Baião, que justifica a quebra de stocks de medicamentos há cerca de dois anos como uma das razões para o elevado número. “Muitos doentes ficaram sem tomar os medicamentos das fases sequenciais para concluir o tratamento e provavelmente estes estiveram implicados no aumento de números de doentes com tuberculose multirresistente”, afirma.

No topo da lista

Angola faz parte do grupo de 30 países no mundo com maior carga de tuberculose. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infecção é a que mais pessoas mata e está à frente do vírus VIH. Diariamente causa em torno de 5 mil mortes. Em Angola é desde 2015 a terceira causa de morte com cerca de 60 mil casos registados nos últimos anos.

O Relatório Mundial da Tuberculose de 2018 da OMS, alerta que, embora menos pessoas tenham adoecido e morrido por tuberculose em 2017, os países ainda não estão a fazer o suficiente para acabar com a doença até 2030. Segundo o documento, em 2017, Angola investiu cerca de 46 milhões de dólares no combate a doença.

A doença continua a ser uma das 10 principais causas de morte em todo o mundo. Só em 2017, matou cerca de 1,6 milhão de pessoas e estima-se que, 0 milhões de pessoas tenha contraído a doença, incluindo 5,8 milhões de homens, 3,2 milhões de mulheres e mais de 1 milhão de crianças.

 

 

 

 

 

 

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