Casos de desnutrição aumentam no país

Fome mata quase 3.500 crianças

No ano passado, quase 3.500 crianças morreram devido à desnutrição aguda e severa nas unidades sanitárias. Os dados são da Direcção Nacional Saúde Pública (DNSP), revelados ao NG. Foram ainda atendidas, no Programa de Atendimento Ambulatório e nas Unidades Especiais de Nutrição, mais de 190 mil crianças. A DNSP admite que a situação tem vindo a agravar-se. Angola é o terceiro país da SADC com mais casos de desnutrição crónica.

Fome mata quase 3.500 crianças
Manuel Tomás
Angola é o terceiro país da SADC mais casos de desnutrição

Um total de 3.495 crianças morreram, no ano passado, por desnutrição. Os dados da Direcção Nacional de Saúde Pública (DNSP), mostram que foram atendidas mais de 148 mil crianças menores de cinco anos com desnutrição aguda severa sem complicações foram atendidas em regime ambulatório (Programa de Atendimento em Ambulatório). Destas, 1.551 morreram, 93.840 tiveram alta como curados e 32.060 abandonaram o tratamento. Em 2017, neste programa foram admitidos 266.400, destas tiveram alta como curados 34.131 e 91.024 abandonaram o tratamento.

Nas unidades de internamento (Unidades Especiais de Nutrição) foram atendidas mais de 42 mil menores de cinco anos. Destes, 1.944 terminaram em óbitos, 14.466 tiveram alta como curados e 1.780 abandonaram o tratamento. Em 2017, nas unidades de internamento, foram atendidas 43.816, sendo que, 13.527 tiveram alta como curadas e 1.854 abandonaram o tratamento.

Pelo menos 38 em cada 100 crianças angolanas sofrem de malnutrição crónica e outras 15 em cada 100, de malnutrição severa. Os dados são do último Inquérito de Indicadores Múltiplos de Saúde 2015-2016. Estes números podem estar longe da actual realidade, reconhece a chefe do Programa Nacional de Nutrição da DNSP, Madalena van-Dunem, admitindo que a quantidade de casos que chegam às unidades sanitárias mostra que a situação se tem “agudizado”. Entre os problemas do Programa Nacional de Nutrição, Madalena van-Dúnem, destaca o abastecimento irregular e insuficiente de produtos terapêuticos nutricionais e de medicamentos sistemáticos para o tratamento da desnutrição, o não apetrechamento com meios de diagnóstico nutricional nas unidades. No ano passado, das 319 unidades de tratamento em regime ambulatório, 225 fecharam, ficando apenas 94 em funcionamento; e das 123 unidades com serviços de internamento 61 fecharam, ficando apenas 62.

Em Angola, a taxa de desnutrição crónica é de 38 por cento, quase o dobro do padrão estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de menos de 20 por cento. Angola é o terceiro país da SADC com mais casos de desnutrição crónica. Segundo a Unicef, Angola está na lista dos 20 países onde morrem mais crianças menores de cinco anos, com 81 mortes por cada mil nascimentos.

 

Sem papas para tratamentos

Os hospitais de Cunene carecem de papas ‘PlumpyNut’, suplementos alimentares para o tratamento da malnutrição em crianças menores de cinco anos, informou à Angop, o supervisor provincial do Programa de Combate à Malnutrição, Teófilo Emílio. A última vez que a região beneficiou destas papas foi em 2017, numa doação da Organização Não-Governamental (ONG) World Vision com duas mil caixas, cada uma contendo 150 pacotes de papa, que duraram até 2018.

Segundo Teófilo Emílio, a direcção provincial da saúde tem apoiado os pacientes apenas com leite terapêutico. E que o assunto já é do conhecimento do Gabinete Provincial da Saúde e da Direcção Nacional da Saúde que prometeu resolver o problema nos próximos dias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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