Sonangol não se define e os orçamentos vão baixando

Situação financeira preocupa direcção do Petro

O Petro de Luanda, propriedade da Sonangol, vive momentos difíceis, devido à redução do orçamento disponível. A administração da petrolífera ainda não definiu o que quer fazer do clube, o que preocupa o presidente Tomás Faria.

 Situação financeira preocupa   direcção do Petro
Santos Samuesseca
Tomás Faria

Tomás Faria Presidente do Petro de Luanda

Caso a Sonangol desista do Petro, [eu] saberia definir melhor o destino a dar aos seus principais activos.

 Angola, nenhum clube aceita divul­gar ou revelar quanto recebe e gasta. A questão financeira ainda constitui um tabu, como se fosse um segredo de Estado. Os dois principais clubes, o 1.º de Agosto e o Petro de Luanda, não fogem à regra e evitam falar de finanças. No entanto, o Petro, a equipa mais titulada de Angola em futebol, vive momentos delicados. Tomás Faria, presidente dos ‘tricolores’, considera que, desportivamente, o clube está no bom caminho, mas, quanto à saúde financeira, precisa de muitos cuidados. Nos últimos três anos, o orçamento caiu bruscamente.

 Neste mandato, o primeiro desafio colocado a Tomás Faria foi adaptar-se à crise finan­ceira. Sem revelar os orçamen­tos, o líder do clube limita-se a afirmar que, em 2016, houve uma redução de 12 por cento, em 2017, de 27 e, este ano, foi de 19 por cento. O clube ainda dispõe de uma bomba de abas­tecimento de combustível, na avenida Ho Chi Mih, nas ime­diações do Largo do 1.º de Maio, em Luanda.

 O futebol é o que mais gasta dinheiro dos cofres da Sonangol, proprietária do clube, seguido do basquetebol e andebol feminino.

 PETRO E A SONANGOL

O facto de pertencer à Sonangol traz outras sombras ao Petro, numa altura em que se fala da reestruturação da petrolífera nacional. Para 2020, está prevista a entrada de um novo modelo de gestão do sector petrolífero. A Sonangol poderá dar lugar à Agência Nacional de Petróleo e Gás, que vai assumir outras funções, como a prospecção, exploração, refinação de petró­leo e distribuição de derivados.

Tomás Faria acredita que, caso a Sonangol desista do Petro, “[eu] saberia definir melhor o destino a dar aos seus princi­pais activos.”

O líder do clube garante que um dos seus objectivos estraté­gicos é precisamente lutar para o aumento de receitas fora da Sonangol.

E entende que o mercado angolano “possui muitos vícios e não é atractivo no aumento de receitas”, como acontece com “a venda de bilhetes, as transmis­sões televisivas e ‘merchandi­sing’ pouco desenvolvido, que têm contribuído para a fraca arrecadação de receitas dos clu­bes”. “O mercado deve abrir­-se”, sugere,

O clube esteve impedido, em 2017, de realizar qualquer movimento bancário, porque as contas estavam bloqueadas por decisão do tribunal, devido a um caso de 2001.

  Situação financeira preocupa   direcção do Petro

 AS TROCAS  DOS PCA

O actual presidente do conselho da admi­nistração da Sonan­gol, Carlos Saturnino, ainda não se preo­cupou com a situa­ção do clube, às voltas com mui­tas ‘makas’ e ‘dos­siers’ por resolver. Para Tomás Faria, os grandes desafios que o clube enfrenta prendem-se com as mudanças verificadas em vários conselhos de administrações do sócio fundador, a Sonan­gol. “Os projectos estão enca­lhados”, lamenta.

De Abril de 2014 a Novem­bro do ano passado, o clube conheceu três administra­ções da Sonangol e teve de se adaptar às alterações, uma vez que cada PCA tinha a sua visão sobre o clube. Francisco Maria, que esteve à frente da empresa petrolífera de Abril de 2014 a Junho de 2016, tinha dado como linha de orientação o ajustamento dos estatutos, o saneamento e a construção de infra-estruturas desportivas.

 Por sua vez, Isabel dos San­tos, de Junho de 2016 a Novem­bro de 2017, procurou apostar na melhoria da imagem do clube. Já o actual presidente, Calos Saturnino, ainda não definiu o que pretende com o clube. Numa recente entrevista à TPA, o empresário Álvaro Sobrinho, ex-líder do Besa, que faliu, mos­trou-se disponível a investir no Petro, assumindo-se como adepto. Álvaro Sobrinho já foi o principal investidor indivi­dual no Sporting, de Portugal.

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