Indica Organização Mundial da Saúde

Seis por cento dos angolanos são diabéticos

Quase seis por cento da população angolana, num universo de cerca de 25 milhões de habitantes, sofre da diabetes, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Seis por cento dos angolanos são diabéticos
D.R.

Como medida de prevenção, especialistas apontam a educação, apoio e transformação da consciência da sociedade a respeito da diabetes, seus factores de risco e tratamento como solução para travar este mal que assola a população.

 

Os números correspondem aproximadamente a um milhão e 500 casos/ano.

A diabetes é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia) e pode ocorrer devido a defeitos na secreção ou na acção do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas pelas chamadas células beta.

Trata-se de uma doença silenciosa que, quando não tratada e controlada, gera inúmeras complicações, e representam grave adversidade ao sistema de saúde pública.

Actualmente, a diabetes é a mais comum das doenças não-transmissíveis com elevada prevalência e incidência crescente. Atinge já cerca de 415 milhões de pessoas em todo o mundo e continua a aumentar em todos os países.

Existem três tipos de diabetes, sendo a do Tipo 1, do Tipo 2 e a Gestacional.

A obesidade, tabagismo, sedentarismo, gravidez em idades avançadas e desregramento dos alimentos são apontados como alguns dos agentes causadores das diabetes.

Ciente dos riscos que a doença representa para Angola, o Executivo aprovou, em 2017, por meio de um Decreto Presidencial, a isenção do pagamento de direitos aduaneiros na importação dos medicamentos para diabetes.

Com esta medida, procura-se baixar os custos dos medicamentos, cujos valores rondam entre nove e 10 mil kwanzas, a insulina, e os comprimidos, dependendo do grupo, podem custar de mil a 28 mil kwanzas.

Apesar do esforço do Governo neste sentido, a médica e membro da Sociedade Angolana de Endocrinologia, Francisca da Silva, afirma que a isenção de imposto aos medicamentos ainda não deu os resultados esperados, pois os preços continuam elevados.

Lamentando a longa lista de espera para consultas de especialidade nas unidades sanitárias nacionais, que contam apenas com 15 especialistas, avança que o tratamento é eficaz se cumpridos três pilares: medicação (comprimido/insulina); alimentação adequada e saudável (reduzir açúcares, gordura e carbo-hidratos); e actividade física.

Prevenção

Como medida de prevenção, Francisca da Silva aponta a educação, apoio e transformação da consciência da sociedade a respeito da diabetes, seus factores de risco e tratamento como solução para travar este mal que assola a população.

Considera que as doenças crónicas requerem acções de médio e longo prazos, com educação e reforço dos profissionais de saúde na atenção primária e implantação de equipas especializadas nos centros de média e alta complexidade.  

A especialista, que presta assistência à Clínica Girassol,adiantou que, diariamente, 50 doentes diabéticos são atendidos em consulta ambulatórial.  

Francisca da Silva apontou, entre outros problemas, a falta de educação cívica dos cidadãos, melhoria das condições económicas e sociais, já que em muitos casos os pacientes fazem uso de insulina mas não tem como o conservar.

Para si, a cultura alimentar pode contribuir para o aumento de casos, afirmando que se a dieta for rica em gordura e açúcar pode causar obesidade e consequentemente levar a resistência à insulina, acabando em diabetes mellitus tipo 2.

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