Pela denúncia da violência sexual nos conflitos armados

Médico congolês e activista iraquiana partilham prémio Nobel da Paz 2018

Médico congolês e activista iraquiana partilham prémio Nobel da Paz 2018
D.R.
Denis Mukwege e Nadia Murad

O Comité de Oslo decidiu atribuir o Prémio Nobel da Paz de 2018 a Denis Mukwege e Nadia Murad, pelo seu trabalho em combater e denunciar o papel da violência sexual nos conflitos armados.

Denis Mukwege é ginecologista congolês, especializado no tratamento de mulheres que foram violadas em grupo, um fenómeno recorrente desde o início da Segunda Guerra do Congo, na República Democrática do Congo (RDC). O Comité justificou a sua escolha  classificando Mukwege como “o mais destacado e mais unificador símbolo, tanto nacional como internacionalmente, da lista para acabar com a violência sexual na guerra e nos conflitos armados”. No Hospital Panzi, fundado por Mukwege (RDC), mais de 50 mil mulheres vítimas de violência sexual foram tratadas desde 1999.

Nadia Murad é membro da minoria étnica Yazidi. Foi raptada pelo Estado Islâmico em 2014, no Iraque, tendo sido repetidamente violada por membros do grupo. Três meses depois de ter sido raptada, conseguiu fugir. Desde então, tem trabalhado como activista para alertar para o problema da violência sexual como arma de guerra. Em Setembro de 2016 foi nomeada Embaixadora da Boa-Vontade das Nações Unidas, com a pasta da defesa das vítimas de tráfico humano. O Comité de Oslo destacou como Nadia “recusou-se a aceitar os códigos sociais que exigem às mulheres que fiquem em silêncio e envergonhadas pelos abusos a que foram sujeitas”, elogiando a sua “invulgar coragem” ao contar a sua história e falar em nome de outras vítimas.

O Comité justificou a sua decisão com o assinalar de dez anos da assinatura da Resolução 1820 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que considerou pela primeira vez o uso da violência sexual como arma de guerra um crime de guerra.

“O principal objectivo é chamar a atenção para o problema do abuso sexual”, resumiu a presidente do Comité, Berit Reiss-Andersen, sobre a decisão de atribuir o Nobel aos dois activistas, preferindo não responder às questões sobre a possibilidade de incluir uma terceira nomeada ligada ao movimento #MeToo, nem sobre o timing desta escolha — há rumores de que Mukwege é presença habitual na ‘short-list’ de nomeados, há já alguns anos. O Comité esclareceu, em resposta aos jornalistas, que está proibido pelas regras de comentar o processo de escolha.

Tanto o médico ginecologista como a activista Yazidi já tinha recebido o Prémio Sakharov, atribuído pelo Parlamento Europeu aos que se destacam na defesa dos direitos humanos, em 2014 e 2016 respectivamente.

 

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