HÁ SEIS ANOS SEM VIDA

Pólo industrial de Lucala em estado de abandono

Das 222 indústrias previstas somente três estão implantadas, das quais apenas uma está operacional.

Pólo industrial de Lucala em estado de abandono
D.R

Desde o lançamento em 2015, o Pólo Industrial de Lucala, no Kwanza-Norte, encontra-se em completo estado de abandono, com a vegetação a tomar conta do espaço de 853 hectares, projectados para a edificação de fábricas de construção civil e transformação de produtos agrícolas, garantem fontes contactadas pelo VALOR, incluindo o administrador municipal, Mateus Garcia, que, entretanto, não aceitou gravar entrevista.

Apresentados como um contributo futuro para o desenvolvimento socioeconómico da província, as unidades fabris projectadas atingiriam um total de 222, mas, até ao momento, apenas três têm estruturas. Além de uma fábrica de plástico, que está operacional, inclui o matadouro, que se encontra paralisado e uma unidade de produção de chapas que se prepara para começar a operar em Março. As unidades fabris foram instaladas sem as infra-estruturas básicas.

Apesar de estarem nas proximidades de um rio, as unidades não têm água instalada, o que dificulta a operação da única fábrica em funcionamento. A dificuldade de acesso e a falta de energia é outro dos problemas. Os empresários foram obrigados a comprar postos de transformação e outros materiais eléctricos no sentido de não dependerem de geradores.

Pelo grande potencial económico que o pólo representa para as províncias de Malanje, Lundas, Uíge e Luanda, um empresário local lamenta a falta de vontade do Governo na sua dinamização, apesar da bandeira hasteada da diversificação da economia, do combate à pobreza e ao desemprego. “Há tempos, o Gabinete de Desenvolvimento garantiu tirar os actuais gestores do pólo, porém não vimos nada ainda. Grande parte da juventude aqui não tem emprego, deixou de acreditar no discurso feito à margem do lançamento, de que temos um gigante económico, mas está adormecido. Isto daria vida a nossa província e às vizinhas,”observa, preferindo não ser identificado.

Fonte ligada ao pólo refere que os espaços foram loteados e que a maioria dos beneficiários são políticos concentrados em Luanda que, por sua vez, impedem empresários locais, com alguma disponibilidade financeira, de investir. “Os políticos não facilitam a gestão, a falta de separação da política e o empresariado está a atrasar o desenvolvimento local”, lamenta a mesma fonte.

Ainda no Kwanza-Norte, à semelhança de Lucala, o pólo industrial de Cambambe também se encontra em completo estado de abandono sem quaisquer condições em termos de infra-estruturas para que as empresas se instalem.

IDIA QUER REVITALIZAR PÓLOS

Fonte do Mindcom adianta ao VALOR que o Instituto de Desenvolvimento Industrial de Angola (Idia) está a traçar um novo plano com o objectivo de revitalizar os pólos industriais, inoperantes desde a criação, de forma a incentivar investidores interessados.

 

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