Organização disponibiliza mais de 15 milhões de dólares

FAO quer erradicar fome em Angola

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) quer acabar com a fome em Angola até 2030. Para isso, disponibilizou 15 milhões de dólares para a implementação de projectos. Em Angola, pelo menos, três em cada 10 pessoas passam fome. No ano passado, a fome matou mais de três mil crianças até aos cinco anos.

FAO quer erradicar fome em Angola

Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) quer acabar com a fome em Angola até 2030. A FAO disponibilizou 15 milhões de dólares para a implementação de projectos, revelou a representante da organização em Angola, Gherda Barreto Cajina.

O financiamento enquadra-se no projecto ‘Fome Zero’ que pretende retirar os cerca de sete milhões de angolanos que, segundo estimativas da FAO, vivem sob insegurança alimentar no país. Segundo o relatório ‘Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018 (SOFI)’, divulgado em Setembro do ano passado, em Angola, 23,9 por cento da população passa fome, o que equivale a que 6,9 milhões de angolanos não têm acesso mínimo a alimentos. Ou seja, pelo menos, três em cada 10 angolanos passam fome.

Por outro lado, no Índice de Fome Global (Global Hunger Index - GHI) de 2018, Angola ocupou o 95.º lugar entre 119 países qualificados. O país está entre as nações em que a fome é considerada grave. Entre os 52 países com as taxas mais preocupantes no Índice Global da Fome 2018 estão Moçambique, Angola e Guiné-Bissau. Sendo Angola o segundo país africano de Língua Oficial Portuguesa pior classificada, onde a população mais sofre por causa da fome. A lista relatório inclui Moçambique e Guiné-Bissau, como países do PALOP que também registam altos índices de fome. Moçambique é o pior classificado. No total, o índice apresenta dados de 119 países. A organização aponta os conflitos violentos, má governação, e impactos relacionados com as mudanças climáticas na agricultura como factores que favorecem a escassez de alimentos na maioria dos países. O GHI é uma ferramenta projectada para medir e rastrear de forma abrangente a fome nos níveis global, regional e nacional. É projectado para aumentar a conscientização e a compreensão da luta contra a fome, fornecer um meio de comparar os níveis de fome entre países e regiões e chamar a atenção para as áreas do mundo que mais precisam de recursos adicionais para eliminar a fome.

Segundo Gherda Barreto Cajina, em Angola, a FAO trabalha com projectos no campo e apoia políticas públicas para o alcance do objectivo da fome zero, e, para isso, são necessárias políticas e programas com abordagem multissectorial que abrangem todas as áreas da sociedade.

 

Quase 3.500 Mortes

Um total de 3.495 crianças morreu, em 2018, por desnutrição. No mesmo ano, foram atendidos mais de 148 mil crianças menores de cinco anos com desnutrição aguda severa sem complicações foram atendidas em regime ambulatório (Programa de Atendimento em Ambulatório). Destas, 1.551 morreram, 93.840 tiveram alta como curados e 32.060 abandonaram o tratamento. Em 2017, neste programa foram admitidos 266.400, destas tiveram alta como curados 34.131 e 91.024 abandonaram o tratamento.

Nas unidades de internamento (Unidades Especiais de Nutrição), em 2018, foram atendidas mais de 42 mil crianças menores de cinco anos. Destes, 1944 terminaram em óbitos, 14.466 tiveram alta como curados e 1.780 abandonaram o tratamento. Em 2017, foram atendidas 43.816: 13.527 tiveram alta como curados e 1.854 abandonaram o tratamento.

 

Fome piora África

Um estudo elaborado pelo Fórum Africano para as Políticas da Infância mostra que uma em cada três crianças africanas passa fome, e que mais de metade das mortes anuais de crianças resulta da fom.

O Fórum Africano para as Políticas da Infância (ACPF, sigla em inglês) pediu uma “acção urgente” aos governos e aos organismos internacionais, alertando para o facto de mais de 60 milhões de crianças não terem comida suficiente para sobreviverem. E que, nove em cada 10 crianças africanas não respondem aos critérios mínimos definidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em matéria de dieta alimentar diária e dois em cada cinco não têm sequer a carne na ementa com o mínimo de regularidade aceitável. Caso não haja inversão do quadro até 2050, o estudo mostra que África terá mil milhões de crianças subnutridas ou com fome.

O documento revela ainda que, apesar de o continente africano estar a registar há largos anos crescimento económico, em algumas regiões africanas, a situação tem estado a piorar e a razão é a incompetência dos Governos para gerarem condições aceitáveis para as suas populações, sendo que são as crianças quem mais sofre.