Quando passou a pasta a João Lourenço

JES garante ter deixado 15 mil milhões de dólares

O ex-chefe de Estado nega ter deixado cofres do país sem dinheiro. E lembra que, quando saiu, o BNA geria mais de 15 mil milhões de dólares em reservas internacionais. José Eduardo dos Santos responde assim às críticas de João Lourenço.

JES garante ter deixado 15 mil milhões de dólares
Mário Mujetes
José Eduardo dos Santos, ex-Presidente da República

O ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, garantiu não ter deixado os cofres do Estado vazios quando cessou funções, assegurando que as contas do Banco Nacional de Angola (BNA) tinham mais 15 mil milhões de dólares, em Setembro do ano passado, quando cessou funções.

José Eduardo dos Santos respondeu assim às declarações de João Lourenço, que afirmou, numa entrevista a um jornal português, ter encontrado os "cofres vazios". O ex-Presidente da República lembrou que, na 2.ª quinzena de Setembro de 2017, era o governador do banco central que geria as reservas internacionais líquidas e tinha sob sua gestão valores que ultrapassavam os 15 mil milhões.

José Eduardo dos Santos assegurou ainda que, quando deixou as funções, já havia sido elaborada a proposta de Orçamento Geral de Estado de 2018. Segundo o ex-PR, a equipa económica de João Lourenço preferiu desenhar uma nova programação económica, o que atrasou a aprovação desse instrumento de política económica nacional, que deveria ter sido feita em Janeiro deste ano.

O ex-Presidente sentiu necessidade de chamar os jornalistas depois do impacto que as afirmações de João Lourenço causaram. Realizou a conferência de imprensa, na Fundação José Eduardo dos Santos, que ele patrocina, mas evitou responder a mais críticas deixadas pelo actual Presidente, remetendo-se às questões económicas.

Apesar da crise, José Eduardo dos Santos lembrou ainda que, durante a sua gestão, nunca deixou de pagar salários, nem mesmo o 13.º mês. “Não desvalorizámos a moeda, pagámos regularmente os salários dos funcionários públicos, mantivemos o poder de compra dos salários, fazendo actualizações em função da taxa de inflação”, reforçou.

Do balanço do último ano à frente do país, o ex-chefe de Estado recordou que, em seis meses, a sua equipa económica tirou a inflação dos expressivos 40 por cento para 20 por cento, deixando-a em apenas cinco pontos percentuais acima da meta estabelecida em 2017. "A meta era fazê-la descer até Dezembro daquele ano até 15 por cento”, destacou o ex-líder do MPLA, afastado da vida politica activa há três meses.

“Com a produção nacional e com alguns produtos importados, garantimos os produtos da cesta básica, as matérias-primas, para a indústria, e materiais para a construção", acrescentou, considerando ter deixado o país com “relativa estabilidade” financeira, económica e política. “Havia uma relativa estabilidade no país."

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