Artistas elegem amanhã presidente da UNAC- SA

Eleições contestadas e ameaçadas

Eleições contestadas e ameaçadas

O acto eleitoral na União Nacional dos Artistas e Compositores - Sociedade de Autorore (UNAC-SA) está mesmo marcado para amanhã, sexta-feira, no auditório do Museu Nacional de História Natural, das 10 às 16 horas, com as participações das duas listas lideradas por Zeca Moreno e Belmiro Carlos, o actual secretário-geral da instituição. Nem a polémica desencadeada pela lista de Belmiro Carlos fez mudar a data.

A Comissão Eleitoral da UNAC-SA anunciou que apenas 884 artistas estão em condições de escolher os membros dos órgãos sociais da organização. Além de Luanda, participam Benguela, Malanje, Cabinda e Huambo. Luanda conta com o maior número de eleitores, tendo inscrito 500, Huambo, com 101, Cabinda 101, Malanje 42 e Benguela com 134 votantes. São números contestados pela lista B. Os candidatos, depois do fim da votação, têm 24 horas para apresentar as reclamações, sendo que os resultados vão ser divulgados a 21 de Agosto.

Previstas inicialmente para 22 de Junho, o presidente da Assembleia-Geral da UNAC-SA, Paixão Júnior, viu-se obrigado a adiar as eleições por ausência de um regulamento eleitoral e por aconselhamento do Ministério da Cultura.

Depois de a Comissão Eleitoral ter anunciado, na semana passada, as assembleias de voto e o número de eleitores, Belmiro Carlos interpôs uma providência cautelar no Tribunal Provincial de Luanda caso a Comissão Eleitoral Nacional (CEN) não corrigisse as “irregularidades” que a lista garante ter detectado nos cadernos de Luanda, Benguela, Malanje, Huambo e Cabinda.

O artista considera “não ser real” o número de votantes apresentado nos cadernos eleitorais dessas localidades, reafirmando que Cabinda tem 134 eleitores em condição de votar e não os 101 aprovados, Malanje com 234 (ao contrário dos 42 anunciados), Benguela com 264 (134 registados pela CEN) e no Huambo devem votar 591 eleitores contra os 101 registados no caderno eleitoral.

Por isso, o candidato da lista B afirma estarem reunidos os requisitos para intentar uma providência cautelar, que possa prevenir a lisura do processo eleitoral.

Relativamente a Luanda, Belmiro Carlos afirma que a CEN recusou a proposta apresentada para a verificação conjunta do ficheiro físico. “Ninguém sabe como e porquê encerraram os números. O caderno eleitoral de Luanda não foi escrutinado como solicitámos, uma vez que todos conhecem as irregularidades”, reforça.

António de Oliveira, ‘Delón’, presidente da CEN, apelou aos intervenientes a pautarem por acções de “civismo democrático” e “não a recorrer a discursos musculados e agressivos, de forma a que às eleições sejam um exemplo para as outras associações”.

Findas as 24 horas, que o candidato da lista B deu à CEN para que se corrigissem as alegadas irregularidades, Belmiro Carlos suspendeu a campanha, na sequência da providência cautelar interposta no Tribunal Provincial de Luanda e, até ao fecho da edição do NG, pensava ir a votos.

Em nota de imprensa, a lista B insiste em acusar a comissão eleitoral de “praticar actos que ferem a lisura, a transparência, a imparcialidade e seriedade do processo”.

Segundo a lista B, a CEN recusou-se a atender o pedido de realizar, em conjunto, uma vistoria aos processos dos artistas constantes no caderno eleitoral de Luanda, onde considera existirem “irregularidades insanáveis” constatadas pelo mandatário. António de Oliveira ‘Delon’, presidente da CEN, ao NG contestou a existência de irregularidades no processo, frisando não haver razões que as fundamentam e acrescenta ainda que a CEN não recebeu qualquer documento que indica a suspensão da candidatura da lista B das eleições. Até ao fecho desta edição (13 de Agosto), António de Oliveira garantia que a data para o acto  eleitoral se iria manter.

Balanços divergentes

Zeca Moreno e Belmiro Carlos são dois músicos e compositores e ambos candidatos à presidência da União Nacional dos Artistas e Compositores - Sociedade de Autores (UNAC-SA). Ao NG, Eduardo Paim, candidato a vice-presidente na lista de Zeca Moreno, garante não ter dúvidas de que a campanha eleitoral “foi extremamente positiva”, realçando estar “mais ligado” aos problemas que afligem a classe e artística “reforçam” a vontade de querer dar o “máximo contributo” para levar os propósitos da UNAC-SA a “bom termo”.

O músico afirma-se “plenamente convicto” da vitória, mas prefere relembrar que se trata apenas de uma “campanha e não uma guerra”. É a primeira vez que o artista disputa um mandato de quatro anos, que prevê inicialmente a “arrumação da casa” e “auditar” todo o processo que conduz à UNAC-SA.

O candidato explica que os programas para convencer o eleitorado estão traçados, são “apelativos” e entende que “chegou a hora da mudança”, que “deve ser feita com gente que tenha condições. Eduardo Paim critica a forma como os actuais estatutos estão a ser executados, “apesar de estarem bem escritos”.

Belmiro Carlos é o actual secretário-geral e agora a lidera a lista B. Faz um balanço negativo da campanha eleitoral e culpa a outra lista de ter usado um período “menos bom” da direcção da UNAC, “quando deviam aproveitar as eleições para unir a classe e reforçar a imagem da instituição”.

Na lista B, que tem como candidato a presidente da mesa da assembleia-geral o músico João Massano, Belmiro Carlos pretende prestar mais atenção à gestão dos direitos de autor e conexos, assim como a promoção do trabalho artístico, com a sua integração sócio-profissional. Do programa, faz parte a tentativa de unir a classe, tornando-a “mais solidária” e estruturar e revitalizar o sector administrativo da UNAC-SA. Consta igualmente a reintrodução da carteira profissional do artista que sirva de elemento de regulamentação do mercado.

Há 29 anos ao serviço dos artistas

Proclamada há 29 anos, a UNAC-SA é uma associação socio-cultural e profissional, congrega mais de seis mil membros desde compositores, músicos, cenógrafos, coreógrafos e bailarinos. A dinamização da dança, teatro e música, assim como a luta pela inserção profissional e consequentemente a afirmação social dos seus associados são algumas das finalidades que motivaram a sua criação. A organização está representada em 11 províncias: Luanda, Cabinda, Zaire, Malanje, Lunda-Norte, Lunda-Sul, Moxico, Benguela, Huambo, Huíla e Cunene.