Hoje assinala-se o Dia Mundial do Rim

Doentes renais sem tratamento adequado

Há 1.621 doentes em diálise em apenas 10 centros. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença afecte cerca de 10 por cento da população. A Sociedade Internacional de Nefrologia fala em cerca de 850 milhões de doentes e 2,4 milhões de mortes por ano. O Memorial Dr. António Agostinho Neto acolhe hoje o 1.º ‘Workshop Renal’, uma iniciativa da Fresenius Medical Care em colaboração com a Socifarma.

Doentes renais sem tratamento adequado
Santos Samuesseca

A insuficiência renal consiste numa lesão renal e é responsável pela perda progressiva da função dos rins. Manifesta-se de maneira silenciosa no estágio inicial, o que dificulta a realização do diagnóstico precoce. Em Angola, estima-se que haja mais de seis mil pessoas afectadas. Dados do Serviço Angolano de Nefrologia mostram que existem 1.621 doentes em tratamento em 10 unidades de hemodiálise.

Apenas Luanda, Benguela, Huambo e Malanje oferecem estes serviços. A secretária-geral da Associação de Defesa de Direitos dos Insuficientes Renais de Angola (Adira) fala em tratamento “precário”. Palmira da Silva assegura que, em muitos centros, os medicamentos chegam a falhar por longos meses. “Quando estamos a fazer a diálise sem medicamentos é a mesma coisa que nada”, lamenta. “Só estamos a fazer o tratamento para perder peso e não para recompor proteínas”, explica, acrescentando que, nesta condição, o paciente só fica mais debilitado. No centro Pluribus, no ‘Américo Boavida’, desde Dezembro, que não há medicamentos para doentes renais.

A secretária garante que a associação continua a lutar para a melhoria da qualidade de vida, com medicamentos, assistência médica e qualidade do tratamento. “Em 2013, havia melhores condições. A nossa situação está cada vez mais complicada e sem solução”.

Palmira da Silva defende a necessidade de se construírem mais centros de hemodiálise e tratamentos de qualidade. “Os centros estão super-abarrotados e não estão a suportar a procura. Há pacientes que chegam a faltar porque não têm vagas. Há algumas semanas ficámos condicionados durante dois dias sem tratamento”.

Na África subsariana, as doenças renais são a terceira causa de morte que mais cresceu nos últimos 20 anos. Segundo a OMS, a patologia é responsável por cerca de 2,4 milhões de mortes anuais em todo o mundo. Angola não foge à regra. Sem dados estatísticos, a responsável da Adira garante que, apesar de ter registado uma ligeira diminuição, o número de mortes “continua assustador”.

A responsabilidade dos serviços de hemodiálise foi delegada a instituições privadas, o que torna o tratamento muito dispendioso. Até 2011, o Estado gastava anualmente mais de 30 milhões de dólares. No ano passado, o Ministério da Saúde anunciou a intenção de abrir unidades de hemodiálise nos hospitais públicos. Os ministérios da Saúde e da Economia começaram a renegociar contratos para a adopção de um preço único e razoável, para colocar fim à especulação.

Mais de 1.600 doentes

Segundo a Sociedade Angolana de Nefrologia, estão cadastrados nos serviços de hemodiálise 1.621 pessoas. Deste número, 1.524 são de Luanda. Apenas quatro províncias dispõem de serviços de nefrologia: Luanda, com seis, Benguela, com dois, e Huambo e Malanje com um respectivamente. E há apenas 40 nefrologistas. O Ministério da Saúde anunciou, para Junho, a abertura de um centro de hemodiálise do Hospital Central do Lubango, na Huíla. E até 2021, o serviço poderá estar disponível em Cabinda.

Lei engavetada há anos

A Sociedade Angolana de Nefrologia (SAN) luta para que a Assembleia Nacional aprove a lei sobre Transplantes de Tecidos e Órgãos Humanos ‘engavetada’ há quase 15 anos. A lei poderá ser a ‘bóia de salvação’ para acalentar o sofrimento de quem padece de insuficiência renal.

Enfermeiros de diálise em associação

Com o intuito de divulgar a doença, causas e prevenção, a Associação Angolana dos Enfermeiros de Diálise e Transplantação vai ser hoje proclamada, no 1.º ‘workshop’ renal. Segundo José Vintém, presidente da instituição, pretende-se trabalhar na capacitação e actualização técnico-científica dos enfermeiros. Segundo o responsável, o desconhecimento leva a que muitos doentes apareçam em estado avançado nos hospitais, muitas vezes, sem possibilidade de tratamento. Com mais de 50 membros, a associação quer capacitar médicos para dar resposta cabal a todas as situações que surgirem nas salas de diálise. Tem como parceiros o Ministério da Saúde, a Sociedade Angolana de Nefrologia e a Direcção Provincial de Saúde de Luanda.

Rins em ‘workshop’

A Fresenius Medical Care, líder mundial em hemodiálise, em colaboração com a Socifarma, realiza hoje o 1.º ‘workshop’ em Angola, sob o lema ‘Saúde para Todos’. Durante o encontro, vai ser analisada a doença renal crónica e sua comorbilidade; a anemia no paciente renal e a síndrome cárdio-renal.

As farmácias Mecofarma e Cabindafarma, do grupo Socifarma, juntaram-se à Fresenius Medical Care e realizam rastreios renais gratuitos nas farmácias. A acção irá decorrer em Luanda e no Lubango e conta também com o apoio da Associação Angolana dos Enfermeiros de Diálise e Transplantação.

A Fresenius Medical Care vai dotar os serviços de hemodiálise do país de equipamentos de alta tecnologia.

 

 

 

 

 

 

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