Após cerca de três meses paralisado e sem apoio do Ministério da Saúde

CNTH retoma operações, mas limitado

O Centro Neurocirúrgico de Tratamento da Hidrocefalia (CNTH) voltou a realizar operações, embora com limitações por falta de válvulas. Esteve paralisado cerca de três meses em protesto contra a falta de apoio estatal. Morreram mais de 10 crianças. Há dois meses, o Ministério prometeu apoiar com equipamentos, mas ainda não o fez.

CNTH retoma operações, mas limitado
Mário Mujetes
O centro regista, semanalmente, cerca de 10 novos casos
José de Sousa

José de Sousaadministrador do CNTH

Os custos da cirurgia são elevados. As famílias não conseguem pagar. Precisamos de reduzir isto à gratuitidade. Mas, para tal, o Minsa tem de se envolver no processo.

Cerca de três meses após a paralisação, o Centro Neurocirúrgico de Tratamento da Hidrocefalia (CNTH) voltou a realizar operações, embora com algumas limitações. Segundo apurou o NG, desde a reabertura, na semana passada, foram operadas nove crianças com hidrocefalia, mas apenas com o sistema de endoscopia porque o centro continua sem válvulas.

O centro pretende estar inserido na lista das instituições de saúde cotadas no Orçamento Geral do Estado (OGE). Mas o Ministério da Saúde (Minsa) assegura não ser possível por não se tratar de um centro construído pelo Estado. No entanto, há dois meses, prometeu ajudar com equipamentos, medicamentos e pessoal médico e ainda não cumpriu. Durante a paralisação, o CNTH contabilizou, pelo menos, 12 mortes das cerca de 90 crianças que se encontravam na fila de espera para cirurgia.

Os familiares dos doentes continuam a pagar uma comparticipação de 150 mil kwanzas. O que levou a administração a paralisar o funcionamento do centro, como protesto para chamar atenção ao Estado para que “olhe para o centro com mais seriedade e que se deixe de viver de caridade e doações”.

Os responsáveis do CNTH defendem a gratuitidade das cirurgias. Grande parte dos doentes é de origem de famílias carenciadas. Para cada cirurgia, são cobrados 150 mil kwanzas, um valor apenas para a comparticipação e que não cobre, sequer, um terço do valor da cirurgia avaliada em quase 10 mil dólares, incluindo equipamentos e trabalho dos médicos. “Os custos da cirurgia são elevados. As famílias não conseguem pagar. Precisamos de reduzir isto à gratuitidade. Mas, para tal, o Minsa tem de se envolver no processo”, defendeu José de Sousa, administrador do CNTH em entrevista recente ao NG.

Inaugurado em 2015, no Kifica, em Luanda, o centro regista, semanalmente, cerca de 10 novos casos. Sem a ajuda estatal, o centro sobrevive de doações de organizações estrangeiras, da Alemanha e dos Estados Unidos, que têm disponibilizado válvulas.

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