Com emprego já garantido por empresas nacionais

Cinfotec forma técnicos em energias renováveis

O Cinfotec está a formar os primeiros 18 técnicos em energias renováveis no país. O director, Gilberto Figueira, revela que já há muitas empresas a encomendar o recrutamento do pessoal do curso que vai durar 15 meses.

Cinfotec forma técnicos em energias renováveis
Manuel Tomás
Gilberto Figueira, director do Cinfotec

O mercado procura cada vez mais fontes de energias alternativas, substituindo geradores por placas solares, reduzindo, deste modo, custos. Porém, não há mão-de-obra local para a montagem e manutenção das placas solares. A constatação é do director-geral do Centro Integrado de Formação Tecnológica (CINFOTEC). O centro abriu, este ano, o primeiro curso de energias renováveis.

Gilberto Figueira revelou que muitas unidades industriais, empresas petrolíferas e de telecomunicações, hospitais e alguns governos provinciais estão a optar por montar placas solares, bem como semáforos e foram sugerindo o centro para a criação de um curso.

A oportunidade foi aproveitada pelo Cinfotec, em parceria com o Ministério da Energia e Águas, que presta apoio institucional, para criar  o primeiro curso Técnico de Energia Renováveis.

A formação arrancou, este ano, com 18 jovens e, segundo Gilberto Figueira, já há empresas interessadas em absorver os futuros técnicos como, por exemplo, a MS-Telecom.

O curso é ministrado apenas no Cinfotec do Rangel, em Luanda, funcionando como experiência. Em 2020, deverá ser estendida para o Huambo.

Para o acesso, o candidato comparticipa, mensalmente, com 25 mil kwanzas, durante 15 meses. Esta mensalidade não cobre os custos mensais por aluno que são de 65 mil kwanzas. O Estado cobre a diferença.

Os cursos estão a ser ministrados por quatro técnicos nacionais que tiveram formação no exterior, havendo outros que se encontram em formação como bolseiros do Ministério da Indústria. 

PENSAMENTO AVANÇADO

O especialista em Energia e Gás, José Oliveira, entende que “qualquer país na sua matriz energética deve investir nas renováveis por serem menos poluentes e mais sustentáveis a longo prazo”.

O crescimento da população em cerca de três por cento ao ano é outro factor que exige que Angola opte pela produção de energias alternativas fora da tradicional hídrica, acrescentando que a energia solar “pode e deve ser uma solução para as zonas rurais”.

A ideia é partilhada pelo ambientalista Vladimir Russo, acrescentando que “se fica menos dependente de apenas uma fonte que pode ser afectada por problemas de vária ordem, estiagem prolongada e porque algumas fontes de energia são menos poluentes”.

Angola tem um Plano Estratégico das Energias Renováveis, segundo fonte da direcção de Energia Renováveis, do Ministério da Energia e Águas, porém, está apenas na fase de mapeamento em várias localidades.

Conhecem-se apenas três modelos em fase-piloto, a cidade Eólica no Namibe e a Vila Solar, em Catete.

Gilberto Figueira crê que projectos governamentais, com recurso a energias renováveis, como semáforos e aldeias solares, não estão a vingar por falta de técnicos para a manutenção.

 

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