Em Calumbo, Luanda

Casas do futuro centro de pandemias degradadas no meio de capim

A infra-estrutura que vai ser adquirida pelo Estado para servir de futuro centro de pandemias, um negócio polémico de 25 milhões de dólares, é composto por um conjunto de casas degradadas que estão rodeadas de capim, noticiou a Lusa, que constatou que o imóvel, localizado em Calumbo, Viana, em Luanda, está em aparente estado de abandono e fica distante da zona habitacional da circunscrição.

Casas do futuro centro de pandemias degradadas no meio de capim
D.R

As críticas mais recentes partiram da Unita, por intermédio do seu governo sombra, que questionou, na terça-feira, em conferência de imprensa, a compra das casas que vão custar aos cofres do estado 114 mil euros cada uma.

No local, aonde se acede através de uma estrada única com asfalto em degradação, encontra-se um estaleiro já montado onde circulam alguns homens e são visíveis máquinas afectas ao Grupo Casais, empreiteiros que irão reabilitar a infra-estrutura, erguida há cerca de oito anos, no sentido de dar vida aquele espaço, segundo informações recolhidas pela Lusa.

As obras de reabilitação do empreendimento com perto de 200 casas, em mau estado e com fissuras visíveis, apesar do capim que as envolve, deverão começar a qualquer momento, disseram as fontes contactadas pela Lusa.

A empresa Dar é a responsável pela fiscalização da obra, cujos técnicos também já se encontram a fazer os trabalhos iniciais naquele complexo de residências.

A decisão do Governo de adquirir o empreendimento num investimento aproximado de 25 milhões de dólares foi conhecida no início deste mês.

Segundo o despacho presidencial, assinado pelo Presidente da República, que autorizou a realização da despesa, delegando os procedimentos no ministério das Finanças, a decisão visa colmatar a "insuficiência de infra-estruturas adequadas, a nível nacional, para dar resposta a graves calamidades de saúde pública e pandemias, de ocorrência imprevisível".

No entanto, o negócio tem suscitado polémica pelo elevado preço atribuído às casas, alegadamente muito superior ao valor de mercado, bem como pelo facto de pertencerem supostamente a um assessor do ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República.

A Lusa questionou o Governo sobre quem é o proprietário do empreendimento, sem obter esclarecimentos.

As críticas mais recentes partiram da Unita, por intermédio do seu governo sombra, que questionou, na terça-feira, em conferência de imprensa, a compra das casas que vão custar aos cofres do estado 114 mil euros cada uma.

“As casas em questão são de baixa renda e o seu valor real de mercado é de apenas oito milhões de kwanzas (12.600 euros)”, contestou o maior partido da oposição, indicando ter pedido uma avaliação a especialistas independentes “que estimam que as residências estão a ser demasiadamente sobrefacturadas”. 

A Unita, segundo ainda a agência Lusa, disse ainda que as informações que circulam indicam que as casas pertencem ao assessor do ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, que é também “coordenador da comissão intersectorial de luta contra a covid-19”.

“Ou seja, o dono das casas faz parte do pelouro restrito da segurança presidencial”, denunciou.

O partido perguntou se é assim que o Presidente João Lourenço vai “combater a corrupção, o nepotismo, o peculato, o favorecimento, o cabritismo e o tráfico de influências” e quem terá aconselhado o Presidente da República a proceder à adjudicação directa ao invés de concurso público.

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