Militares teriam forçado o presidente a deixar o cargo

Omar al-Bashir destituído

O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, foi forçado pelos militares a deixar o poder nesta quinta-feira (11/04), após três décadas no comando do país, segundo declarações de funcionários do governo à emissoras árabes e à agência de notícias Reuters.

Omar al-Bashir destituído
D.R.
Militares posicionaram-se em vários pontos da cidade.

Testemunhas declararam à Reuters, que Bashir, de 75 anos, foi deposto pelas Forças Armadas e está a ser mantido sob forte vigilância na residência presidencial, em Cartum.

O anúncio oficial da deposição de Bashir deverá ser feito nas próximas horas pelos militares. A televisão do Sudão noticiou, durante a madrugada, que o exército vai fazer um "comunicado importante" em breve.

Testemunhas declararam à Reuters, que Bashir, de 75 anos, foi deposto pelas Forças Armadas e está a ser mantido sob forte vigilância na residência presidencial, em Cartum.

Funcionários do governo sudanês disseram à agência de notícias AP que transcorrem negociações entre os militares para a formação de um governo de transição.

Milhares de pessoas concentraram-se nas imediações do Ministério da Defesa e no centro de Cartum para participar de protestos contra Bashir e festejar a queda.

Na capital do Sudão, os militares posicionaram-se em vários pontos da cidade durante a madrugada, em especial junto dos edifícios da televisão e da rádio públicas.

Veículos militares foram enviados para junto das principais pontes sobre o Nilo, em Cartum, enquanto milhares de pessoas mantêm os protestos em vários pontos da capital, sobretudo junto ao quartel-general do Exército.

Os protestos, que visam pressionar os militares a forçar a saída de Bashir, começaram em Dezembro por causa da subida do preço do pão e intensificaram-se nos últimos dias.

O Comité Central de Médicos do Sudão, uma organização sindical da oposição, afirma que 22 pessoas morreram nos protestos desde sábado, entre os quais cinco militares.

A mesma organização afirmou que 153 pessoas ficaram feridas, sendo que um número "significativo" de feridos se encontra em estado grave, o que deve fazer o número de mortos aumentar nos próximos dias.

Mandados de prisão por genocídio

Bashir comanda o Sudão com mão de ferro desde 1989, quando deu um golpe de Estado com a ajuda de militantes islamistas. É alvo de dois mandados internacionais de prisão por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, emitidos pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, por causa de crimes cometidos em Darfur.

Nessa região do Oeste sudanês, 300 mil pessoas foram mortas desde 2003, segundo contagem das Nações Unidas, num conflito que opõe o governo e milícias árabes, de um lado, e rebeldes não árabes separatistas, do outro.

As manifestações contra Bashir foram motivadas pela forte crise económica que afecta o país há anos, principalmente depois da secessão do Sudão do Sul, em 2011. O Sudão é um dos 25 países mais pobres do mundo, com uma população de 41 milhões de habitantes.

Até à independência do Sudão do Sul, a economia era fortemente dependente do petróleo, que era responsável por 95 por cento das exportações e metade da arrecadação do governo. Em 2001, o Sudão perdeu a maior parte dos campos petrolíferos, que ficaram com o Sudão do Sul.

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