Novo governador tem 38 anos de idade

Os principais desafios de Luther Rescova

Tratamento de lixo, mobilidade, a criação de planos urbanísticos, controlo da natalidade, abastecimento de água e melhoria de saneamento básico são os grandes desafios apontados para o novo governador de Luanda. Luther Rescova é o 20.º a assumir o cargo.

Os principais desafios  de Luther Rescova
Mário Mujetes
Novo Governador
Benedito Daniel

Benedito DanielPresidente do PRS

O único que fez alguma coisa foi o Aníbal Rocha, mesmo diante de todas as adversidades, desde a escassez de recursos e o conflito de interesses.

Com a nomeação de Luther Rescova, de 38 anos, para a governador de Luanda, em substituição de Adriano Mendes de Carvalho, baixa a média de permanência no cargo. A média passa a ser de dois anos. José Aníbal Rocha aguentou-se cinco anos e, em 43 anos de democracia e em 20 governadores, o Governo Provincial de Luanda só foi gerido por uma única mulher, no caso, Francisca do Espírito Santo.

 José Ribeiro aponta como um dos principais problemas, para o novo governador resolver, a falta de planos urbanísticos que visam determinar o número de habitantes para que haja melhor distribuição dos serviços, recordando, por exemplo, que a capital  havia sido concebida para 500 mil habitantes, mas alberga quase oito milhões. “Governar Luanda é um teste de ferro”, alerta o demógrado, sugerindo que se “crie programas de educação sexual reprodutiva, porque a média de seis filhos por família é muito alta”.

José Ribeiro lembra que os grandes países não se constroem com elevado número populacional e lamenta que o índice de natalidade seja superior ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Por isso, contraria a opinião do novo governador de que os problemas de Luanda se restringem à falta de drenagem, saneamento básico e de vias de acesso.

 

 “O índice populacional gera desemprego e este, por seu turno, propicia a delinquência e outros meios alternativos de sobrevivência, como a famosa zunga ou a venda ambulante”, reforça Benedito Daniel, presidente e deputado do PRS, admitindo que governar Luanda “não é tarefa fácil”. “Muitos dos que por ali passaram não deixaram nada como obra com a qual se possa orgulhar”, critica.

 “O único que fez alguma coisa foi o Aníbal Rocha, mesmo diante de todas as adversidades, desde a escassez de recursos e o conflito de interesses”, elogia o líder do PRS, apontando ser necessário a concepção de planos directores capazes de identificar os principais problemas de cada distrito, comuna e município.

Benedito Daniel aponta ainda a necessidade de se melhorar o sistema de abastecimento de água, aumentando o número de torneiras instaladas, além das 700 mil ligações, e lembra que a ‘Operação Resgate’ tem impedido a venda de água por cisternas que “serviam de alternativa”.

 O líder do PRS quer ver renovado o modelo de recolha de resíduos, com a convicção de que a “produção de lixo é maior do que a capacidade de recolha e aconselha ainda que se faça a topnomia da cidade para facilitar a localização de cidadãos e o exercício da polícia.

“Para o êxito dos desafios a que o governador se propõe, não deve haver interferências com as demais autoridades sobretudo centrais, mas respeitar os limites e as responsabilidades de cada um de acordo com os planos directores”, sugere a Luther Rescova.

 António Venâncio, engenheiro civil, entende que um sistema binário de saneamento básico que garantisse a recolha, escoamento e tratamento de esgotos e drenagem das águas pluviais poderia custar entre a 25 e 30 mil milhões de dólares, cuja construção levaria cerca de 15 anos, envolvendo pouco menos de 30 empresas de grande e médio porte, mais 50 pequenas empresas de serviços de apoio técnico. “Ao fim dos 15 anos estaria erradicado o paludismo e os gastos com a saúde reduziram drasticamente”, aponta o engenheiro civil, sublinhando que aqueles valores não envolvem a construção das vias e a demolição de residências, apontando ainda outra solução que poderia descongestionar a capital: “movimentos pendulares entre as demais províncias, criando círculos de mobilidade rodoviária e ferroviária em todo país”.

 “O problema de Luanda resolve-se pela mobilidade humana, porque dentro de cinco anos vamos atingir os 11 milhões de habitantes, tendo como média anual cerca de 300 mil habitantes por ano”, aventa António Venâncio, acentuando que os planos directores só valem se as medidas forem implementadas.

 

PR desafia Rescova

O Presidente da República pediu a Luther Rescova que “não tenha medo de enfrentar o desafio” de governar a capital, afirmando que as províncias “devem estar mais fortes” com vista à implementação das autarquias.

Depois de ser empossado, o novo governador de Luanda garantiu que os problemas da capital “estão já diagnosticados”, apontando o saneamento básico e as infra-estruturas rodoviárias como prioridades, a par do “combate à corrupção e à impunidade”. Sérgio Luther Rescova continua a ser, até ao congresso, o primeiro secretário nacional da Juventude do Movimento Popular de Libertação de Angola (JMPLA).

Por outro lado, a Unita sublinha a juventude de Rescova, mas dá o “benefício da dúvida”. Luanda é uma cidade que tem grandes desafios, veremos o que o novo governador irá fazer, não sei se ele terá experiência suficiente para estar à frente de uma estrutura tão importante”, afirmou Alcides Sakala, porta-voz do maior partido da oposição, em declarações à agência Lusa.

Para Alcides Sakala, trata-se da “habitual dança de cadeiras” a nível da presidência, afirmando que João Lourenço “vem tentando acertar a sua estratégia”.

O chefe de Estado empossou, em Luanda, os novos governadores de Luanda, Sérgio Luther Rescova; do Kwanza-Sul, Job Castelo Capapinha, e do Kwanza-Norte, Adriano Mendes de Carvalho. João Lourenço assinalou que as províncias são importantes, até porque o país está a preparar a realização das primeiras eleições autárquicas, previstas para 2020, tendo destacado a capital, província com sete milhões de habitantes. “Sem desprimor pelas outras, queremos destacar Luanda, pelas razões óbvias, é a capital do país, é a maior urbe do país”, acrescentou.

Os novos governadores de Luanda, Luther Rescova; do Kwanza-Norte, Adriano Mendes de Carvalho, e do Kwanza Sul, Job Capapinha, e as ministras da Acção Social Família e Promoção da Mulher e das Pescas e do Mar tomaram posse na passada semana, totalizando até ao momento cerca de 235 exonerações e nomeações de João Lourenço.

 

OS 19 QUE JÁ PASSARAM POR LUANDA

Desde a independência já passaram pelo Palácio da Mutamba 20 governadores, dos quais uma mulher que não passou dos dois anos no cargo. A maior proeza recai para José Aníbal Rocha, que completou cinco anos no cargo.  

Segundo a divisão política administrativa adoptada após a independência, Luanda começou por ser governada por um administrador municipal, para mais tarde passar por um comissário municipal e provincial. Com a implementação do multipartidarismo em 1991, o Governo voltou a designar os responsáveis das províncias por governadores e os municipais por administradores.

 

1976-1977 - Pedro Fortunato Luís Manuel

1977-1978 - Afonso Van-Dúnem Mbinda

1979-1980 - Agostinho André Mendes de Carvalho

1980-1981 - Francisco Romão de Oliveira

1981-1983 - Evaristo Domingos Kimba

1983-1986 - Mariano da Costa Garcia de Puku

1986-1988 - Cristóvão Francisco da Cunha

1988-1991 - Luís Gonzaga Wawuti

1991-1993 - Kundi Paihama

1993-1994 - Rui Óscar de Carvalho

1994-1997 - Justino José Fernandes

1997-2002 - José Aníbal Rocha

2002-2004 - Simão Mateus Paulo

2004-2008 - Job Castelo Capapinha

2008-2010 - Francisca do Espírito Santo

2010-2011 - José Maria Ferraz dos Santos

2012-2014 - Bento Sebastião Francisco Bento

2015-2016 - Graciano Francisco Domingos

2016-2017 - Francisco Higino Lopes Carneiro

2017- 2019 - Adriano Mendes de Carvalho

2019 Sérgio Luther Rescova Joaquim