Comité Nacional da JURA pode passar para 351 membros

Sete candidatos a líder juvenil da UNITA

A JURA prepara um novo congresso. Para já, conta com sete candidatos ao lugar de secretário-geral. ‘Aly’ Mango concorre à sua reeleição. Elsa Pataco é a única mulher e acredita que traz o peso feminino na campanha. O conclave está marcado para Novembro.

Sete candidatos a líder juvenil da UNITA
Santos Sumuesseca
Membros da JURA em Congresso

 O IV Congresso Ordinário da Juventude Unida Revolucionária de Angola (JURA), organização juvenil da UNITA, convocado para de 8 a 10 de Novembro, sob o lema ‘JURA nova etapa, nova dinâmica para a vitória’, foi antecedido de conferências provinciais. Luanda e Kwanza-Norte foram as últimas a eleger delegados, enquanto Bengo é o que menos representantes leva ao conclave que prevê alterações aos estatutos. O  Comité Nacional vai ser alargado de 251 para 351 membros e vai redefinir o limite de idade para os candidatos a secretário-geral.

Os apurados às eleições ao cargo de secretário-geral da JURA podem ser conhecidos amanhã. Entre eles, poderá estar Alicerces ‘Aly’ Mango, que concorre à sua própria sucessão, e concorre com Elsa Pataco, a única mulher, Rafael Mucanda, Samuel Sabino, Manuel da Costa Ekuikui, Oseias Chilemba, António das Dores e Agostinho Kamwango, que já foi derrotado em 2014.  ‘Aly’ Mango, no acto de abertura da convocação do conclave, reafirmou a vontade da JURA de “continuar a ser inspiradora da confiança da juventude angolana”. Por isso, acredita que “nada impedirá a luta sabiamente dirigida e inspirada pelos desígnios que nortearam a criação da UNITA” a 13 de Março de 1966 e, consequentemente,  a proclamação da JURA em 1974, tendo como primeiro dirigente Salupeto Pena. 

Caso seja apurada e vença as eleições, Elsa Pataco pretende “emancipar as jovens mulheres a enveredarem pela política” e  acredita que pode elevar o número de militantes e simpatizantes para que a UNITA vença as eleições autárquicas e gerais. “Não temos medo de nos impor perante os homens, até porque somos a maioria. Por isso, estou confiante de que serei a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária-geral da JURA”, sustenta, com optimismo, esclarecendo que a deputada Albertina Navita Ngolo cumpriu apenas um mandato dos dois a que tinha direito, tendo colocado o lugar à disposição. Elsa Pataco garante estar “confortável” perante os adversários, justificando ser uma “militante séria, responsável e cumpridora” dos estatutos do partido e da JURA. Tem como um dos objectivos lutar para que os jovens deixem de emigrar em busca de melhores condições de vida e proteger aqueles que se encontram desavindos das famílias.

Para Rafael Mucanda, o primeiro a formalizar a candidatura, o actual cenário político exige maior dinamismo e capacidade de mobilização para que os resultados nos próximos pleitos eleitorais sejam promissores. Propõe-se “mudar a forma de trabalho”. 

“Temos de impor maior dinamismo na organização para que a UNITA seja governo. Temos de fazer tudo como braço de apoio ao partido para que o projecto de sociedade seja efectivado”, defende.

Agostinho Camwango, de 35 anos, natural do Bié, formado em gestão de empresas, pretende revitalizar o papel da JURA como “vanguarda e braço de apoio ao partido para que os jovens tenham mais oportunidades de emprego e educação de qualidade”

“Queremos fazer com que os jovens comecem a sonhar com um dia melhor. Tenho todos os requisitos, por isso acredito que a minha candidatura seja apurada”, acentua, sublinhando que, sendo a UNITA pioneira da democracia, a JURA não foge à regra. Outro concorrente que entende que os jovens “são revolucionários por natureza”, Samuel Sabino pretende “revitalizar esse dom para que se possa assumir as rupturas das transformações sociais, económicas e políticas”. 

Oseias Chilemba resolveu apresentar a candidatura na certeza de que a JURA deve desempenhar um papel insubstituível na mobilização dos jovens, sendo aquela organização, segundo ele, o viveiro do partido, para tal, considera ser “inegociável a defesa do elo mais fraco”. Caso vença, vai lutar para “acabar com a tenebrosidade no seio do governo”. 

O jovem propõe-se dar mais “sagacidade e novas ideias”, considerando que a política deve acompanhar os sinais dos tempos.

Para Manuel Armando da Costa Ekuikui, um dos  desafios, como diz o lema da campanha, é dar “dinamismo para o futuro”. Isso implica, segundo ele, fazer uma “introspecção ao passado e análise do presente”, esperando que seja apurado para apresentar o seu programa geral.

 
Regras para se ser candidato

Para se ser candidato a líder da JURA, é preciso ser cidadão angolano com menos de 40 anos, militante e membro do comité nacional da JURA, ter as quotas pagas sem reservas, reunir 35 assinaturas dos membros da Comissão Política (CP) do partido, mais 10 do Comité Nacional da JURA, uma cópia do bilhete de identidade e um certificado do Registo Criminal. 

A campanha começa logo a seguir ao anúncio dos candidatos apurados e que vão concorrer ao cargo de secretário-geral da JURA, durante o IV Congresso, marcado para 8 a 10 de Novembro, em Luanda.

Falta de documentos

Sete dos oito candidatos à liderança da JURA foram notificados pela Comissão Eleitoral(CE) do IV Congresso ordinário, por terem demonstrado insuficiências de documentos, segundo uma fonte da organização.  A pré-candidata Elsa Pataco é a única que tem a documentação em dia, ao passo que os outros concorrentes terão de suprir as  insuficiências: Alicerces ‘Aly’ Mango, que concorre à sua sucessão, Custódio Lopes, Manuel Ekuikui, António das Dores Miguel, Oseias Chilemba, Samuel Sabino e Rafael Mukanda.  Foi dado um prazo de dois dias (que termina hoje) aos sete candidatos para a conclusão dos documentos em falta, para que, no dia 12 sejam conhecidos os apurados, dia que será realizado o sorteio do posicionamento de cada um.

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