Procura pelo Centro de Medicina Desportiva ainda é fraca

Exames médicos vão ter lei em breve

Com a abertura da época desportiva, o centro de medicina começa a ter algumas movimentações dos clubes, mas ainda de forma tímida. João Mulima, director-geral do Centro Nacional de Medicina do Desporto (Cenamed), garante que a maior parte dos clubes do Girabola ainda não realizou os habituais exames médicos. Em breve, vai ser aprovada uma lei que prevê penalizar atletas e clubes que não realizem exames médicos.

Exames médicos vão ter lei em breve
Santos Sumuesseca
Centro Nacional de Medicina do Desporto
João Mulima

João Mulima director-geral do Cenamed

A avaliação médica no Cenamed custa 30 mil kwanzas para um atleta sénior e, nos escalões mais baixos, os preços também são inferiores.

Com a abertura da época desportiva, os clubes começam a procurar pelos serviços do centro de medicina, mas ainda de forma tímida. O director-geral do Centro de Medicina do Desporto (Cenamed), João Mulima, lembra que é obrigatória a realização de testes médicos no Centro de Medicina do Desporto (Cenamed), No entanto, admite que tem havido incumprimento, lamentando que não exista uma estrutura que penalize os prevaricadores.

O centro não possui um poder correctivo, limitando-se a aconselhar os agentes a pautar por um desporto limpo e responsável. Possíveis castigos aos clubes dependem de uma lei a ser aprovada com carácter de fiscalização e punição. Para melhorar a medicina desportiva, há uma proposta de lei, para punir os transgressores, que pode entrar em vigor provavelmente daqui a dez meses ou um ano.

No Petro de Luanda, as equipas seniores de andebol e basquetebol em ambos sexos estão com os exames em dia. A garantia é dos dirigentes Luís Aleixo e Artur de Barros.

No ‘catetão’, os exames médicos foram realizados antes da abertura da época desportiva, no centro de medicina. Já no eixo-viário, os testes médicos foram realizados nas clínicas da Endiama, Girassol e no centro de medicina. 

TIPOS DE EXAMES

João Mulima garante que o Cenamed está preparado para fazer qualquer tipo de avaliação solicitada pelos clubes e pode atender, por dia, 100 atletas. Para um atleta da alta competição, são feitas avaliações médicas como exames de sangue, imagem (fotografia trazida do estado físico do atleta), electrocardiograma, provas de esforço e exames médicos. Um atleta pode ser avaliado pelo departamento médico do respectivo clube, mas é o Cenamed a ter a última palavra quanto ao estado físico do atleta. Da parte do centro de medicina, João Mulima assegura “não haver qualquer cambalacho”, mas atira as responsabilidade para os clubes, quando submetem os atletas a actividades desportivas sem fazer avaliações médicas.

 

PREÇOS PRATICADOS

A avaliação médica no Cenamed custa 30 mil kwanzas para um atleta sénior e, nos escalões mais baixos, os preços também são inferiores. João Mulima assegura que se cobra dez vezes menos daquilo que se pratica em clínicas privadas e a qualidade é “boa e indiscutível”. Para um plantel constituído por 25 a 30 atletas, o Cenamed não faz quaisquer desconto pelo número de atletas, uma vez que o custo praticado pelo centro é subvencionado pelo Estado, através do Ministério da Juventude e Desporto, que paga a outra parte.

Por uma questão de deontologia profissional, João Mulima recusa-se a revelar o atleta que a mais exames médicos foi submetido durante a época passada, mas sublinha que o mesmo está ligado ao futebol. O centro prioriza os atletas, mas também está aberto a toda população interessada na solução dos principais serviços médicos. Caso deixe de cobrar pelos serviços, o centro pode entrar em falência, devido aos custos operacionais. O Cenamed, por ano, gasta cerca de dois milhões de dólares e os testes antidoping também são feitos no centro pelos médicos credenciados pela Organização Regional Antidoping (RADO, sigla em inglês).

 

POR DENTRO

O Cenamed, situado no complexo da Cidadela, em Luanda, é único em Angola. Dispõe de uma sala de tratamentos húmidos, balneários, vestiários, consultórios, salas de triagem e de espera, fitness, cardio fitness, zona de avaliação, reabilitação funcional, fisioterapia, espaço para alongamentos, flexibilidade e posturologia e laboratórios de biomecânica e fisiologia do esforço. Além de medicina desportiva, também presta consultas de clínica geral e está aberto à população.

João Mulma garante que o centro tem “recursos humanos qualificados e com elevada competência científica”. Uma parte dos funcionários pertence ao Ministério da Juventude e Desportos e os restantes são colaboradores pagos pelo centro.