Número de crianças com problemas do coração cresce

País com apenas quatro cardiopediatras

Em Angola, o número de crianças que nasce com problemas do coração é elevado e grande parte precisa de operações. Só há quatro médicos cardiopediatras. A Organização Mundial da Saúde estima que, até 2030, as doenças cardiovasculares serão responsáveis pela morte de aproximadamente 23,6 milhões de pessoas no mundo.

País com apenas quatro cardiopediatras
Santos Sumuesseca
em cada mil crianças, 10 nascem com problemas do coração

Para se medir a tensão arterial, especialistas alertam que tem de estar em repouso, sentado e em outras condições possíveis para fazer a medição.

O novo presidente da Sociedade Angolana de Doenças Cardiovasculares (SADCV) alerta que, em Angola, o número de crianças a nascer com problemas do coração é elevado e que grande parte precisa de intervenção cirúrgica. Gade Miguel, eleito durante o 4.º Congresso Angolano de Cardiologia e Hipertensão, considera “preocupante” a situação, numa altura em que o país tem apenas quatro médicos cardiopediatras, que trabalham nos hospitais públicos e clínicas privadas, em Luanda.

Em média, no mundo, em cada mil crianças, 10 nascem com problemas do coração. Não há dados concretos em Angola sobre o número de crianças afectadas.

No entanto, sabe-se que 20 por cento de adultos são hipertensos, sendo atendidos por apenas 70 médicos. Um número de especialistas considerado, pelo presidente da Federação das Sociedades de Cardiologia de Língua Portuguesa, Mário Fernandes, uma “gota no oceano”, já que o país continua a registar um aumento “vertiginoso” de hipertensos.

Destes 20 por cento, metade desconhece ser portadora de tensão alta. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2030, as doenças cardiovasculares serão responsáveis pela morte de 23,6 milhões de pessoas em todo o mundo.

Com base nos dados nacionais, Mário Fernandes estima que cada cardiologista tem sob sua responsabilidade mais de 380 mil pacientes. Por isso, sugere a formação de especialistas como uma das grandes “prioridades”. O médico reconhece que a falta de informação, a “incapacidade técnica” e o ataque silencioso fazem com que muitos só descubram o estado quando se manifestam as doenças associadas, como acidentes cerebrais hemorrágicos, insuficiências renais e cardíacas.

O especialista denuncia que, nos hospitais, centros e postos de saúde ,“não há o devido cuidado na medição correcta da tensão arterial, por causa da grande pressão a que essas unidades de atendimento clínico estão submetidas”.

Para se medir a tensão arterial, alerta que tem de estar em repouso, sentado e em outras condições possíveis para fazer a medição. Por causa das enchentes, às vezes, “os pacientes acabam por receber resultados conseguidos à base de procedimentos menos correctos”, situação que é muito comum nos serviços pediátricos.

Os especialistas aconselham a medição regular da tensão arterial, diminuição do uso de sal na alimentação, realização de exercícios físicos e evitar o tabagismo. Com estas medidas, acreditam que podem ser diminuídos os acidentes cerebrais vasculares, insuficiências arteriais (que resultam em tratamento via hemodiálise) e cardíaca, que têm afectado muitos jovens, nos últimos tempos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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