Por causa das ameaças e de alegada desorganização

Atletas ‘fogem’ da selecção nacional

Falta de comunicação entre o seleccionador norte-americano Will Voigt e o adjunto é apontada por comentadores como estando na base da desorganização da selecção nacional. Há atletas que ameaçam não treinar por causa de alegadas ameaças. Angola corre riscos de não se qualificar para o Mundial da China.

Atletas ‘fogem’ da selecção nacional

Os basquetebolistas Edson Ndoniema e Yanick Moreira pensam em deixar a selecção nacional, por causa das declarações do secretário-geral da federação, Nelson Sardinha, que ameaçou não pagar qualquer remuneração aos atletas. A ameaça e o tom não caíram bem aos dois atletas que resolveram abandonar os trabalhos de preparação e só aceitaram voltar depois de uma conversa com o presidente federativo, Hélder Cruz ‘Maneda’.
Quem também foge em representar a selecção mais titulada de África é Valdelício Joaquim. Após várias convocatórias, o atleta não respondeu à Federação Angolana de Basquetebol (FAB). O atleta ainda se conformou com a dispensa dos trabalhos da selecção por indisciplina, durante a preparação do Afrobasket do ano passado que decorreu na Tunísia e Senegal, na altura, sob comando de Manuel Silva Gi.
Nelson Sardinha, em declarações ao NG, recusa-se a comentar a aparente rebeldia dos atletas e nega que tenha feito ameaças a Ndoniema e a Yanick. O dirigente federativo limita-se a lembrar que a FAB tem criado condições de trabalho às selecções nacionais. O antigo ‘poste’ da selecção nacional e do Petro de Luanda assegura estar a exercer o cargo “com muita responsabilidade” e nega “qualquer sabotagem do trabalho” ou que queira denegrir a imagem da instituição.

FALTA DE DIÁLOGO
Os especialistas apontam para a falta de diálogo entre os membros da equipa técnica, liderada pelo norte-americano Will Voigt e o adjunto José Carlos Guimarães, e receiam que isso possa vir a “minar os objectivos da selecção”, que é marcar presença no Mundial da China, a ter lugar no próximo ano. Essa alegada falta de comunicação levou os líderes das associações provinciais a marcarem um encontro com o presidente da FAB, mostrando descontentamento pela forma como está a ser gerida a modalidade.
António da Luz, comentador desportivo, entende que a federação não conseguiu ultrapassar algumas questões deixadas por Manuel Silva ‘Gi’ durante o Afrobasket e pede mais diálogo para encontrar consenso entre os atletas, equipa técnica e a própria estrutura da FAB. Segundo o comentador, “dá-se a impressão de que existe uma desorganização interna na federação, em que as convocatórias são anunciadas tardiamente e os atletas não possuem tempo de preparação adequada”.
O comentador critica a relação entre o seleccionador e o adjunto e aconselha o técnico a “estar mais tempo em Angola do que fora do país”. António da Luz receia que essa desorganização possa custar caro ao rendimento da selecção e consequentemente falhar a qualificação para a China.
A ideia é partilhada por outro comentador, Baptista Moscavide, que também culpa a falta de comunicação. Já Joaquim Gomes Kikas, director para o basquetebol do 1.º de Agosto, lamenta que alguns atletas viajem para a China sem realizar qualquer treino.
A rescisão do contrato com o Benfica de Portugal pode estar na base do extremo-base Carlos Morais ter declinado o convite para integrar os trabalhos da selecção. O atleta, que vai actuar na Itália, alegou questões familiares, mas foi visto a jogar no torneio de basquetebol de rua, no Kilamba.
Para Milton Barros, antigo capitão da selecção, a fuga de atletas deve-se à “falta de trabalho de casa” e adverte que “não se pode tapar o sol com a peneira”. “As pessoas devem aceitar que as coisas na selecção e na federação não estão bem e devem ser bem-feitas para que haja melhoria”, sugere. Milton Barros não quis aprofundar o seu afastamento, justificado por opção técnica, da selecção nacional, que preparava a disputa da 29.ª edição do Campeonato Africano das Nações, Afrobasket, que decorreu no ano passado no Senegal e Tunísia.
Com 11 campeonatos ganhos no Afrobasket, Angola joga de 14 a 16 de Setembro em Tunes, Tunísia, a quarta janela do torneio africano de apuramento ao Mundial, no Grupo E, com as selecções da Tunísia, Camarões e Chade. Para Angola marcar presença na China, deve, pelo menos, ficar em 1º ou 2º lugar do grupo e nunca no 3º posto.

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