Clube Escola Desportiva Formigas do Cazenga, luta pela sobrevivência

Batalhadores como as formigas

Fundado há 18 anos, o Formigas debate-se com a falta de infra-estruturas. O clube vai sobrevivendo graças à ajuda dos encarregados de educação e de apoios individuais. Com uma galeria recheada de troféus, o clube movimenta mais de 200 atletas distribuídos em dois núcleos e aposta na formação.

Batalhadores como as formigas

O clube abre as suas portas a partir das sete horas e fecha às 18 horas. Uma das ambições passa por cobrir a quadra desportiva.

Nem mesmo o sol escaldante que se faz sentir impede que os mais pequenos e adolescentes, com fome de aprender a jogar basquetebol, marquem presença nos treinos da tarde, num piso de cimento, no interior da famosa escola da ADPP, onde se situa o quartel principal do clube, fundado a 11 de Fevereiro de 2001. Com o início do ano lectivo, os treinos são realizados nos períodos da manhã e da tarde,  mas de acordo com o calendário escolar em que a maioria estuda na escola.

O cenário não é nada agradável. Tabelas destruídas, algumas sem redes, falta de equipamentos e o espaço sem cobertura constroem o cenário que pode ser encontrado por quem se desloque ao famoso bairro do Zamba 4. Apesar deste cenário desolador, o fundador e coordenador do clube, Eduardo Raul, pretende fazer jus ao nome do clube, Formigas do Cazenga, em que os insectos são tidos como autênticos trabalhadores e organizados e assegura que nunca irão desistir de formar atletas. “Trabalhamos com amor a camisola”, garante.

Segundo Eduardo Raúl, a ideia de criar os Formigas do Cazenga surgiu da necessidade de se preencher e dar respostas a um vazio e ocupar o tempo livre das crianças para que não fiquem ligadas à delinquência juvenil que, no passado, era a ‘imagem de marca’ do município. O fundador pede a todos os munícipes e empresários que se identificam com o projecto no sentido de prestarem o apoio quer material como financeiro para não deixar morrer o clube, que considera ser uma marca no Cazenga. O clube possui um núcleo no bairro Calemba 2 com 44 atletas de ambos os sexos.

 

DE FORMIGA A QUISSONDE 

O treinador João Formosa lamenta que, devido ao número de atletas, as tabelas e bolas têm sido insuficientes para dar resposta aos muitos pedidos diários de miúdos que se querem inscrever para praticar basquetebol.  No entanto, o técnico mostra-se orgulhoso por se terem formado, nesta escola, as ‘formiguinhas’ que passaram para quissonde do nosso basquetebol como são os casos de  Malick Cissé, actualmente no 1.º de Agosto, Kevin Correia, Baptista Castelhano, João da Silva, todos na Lusíada; Gaspar Kembo, no Helmarc, Valdemar António (Vila Clotilde); Osvaldo Gonçalves, Cláudio Monteiro (Exército) e tantos outros que jogam nos campeonatos organizados pela Federação dos Desportos Universitários (Fandu).

 

OUTRAS MODALIDADES

Depois da extinção do Grupo Desportivo da Nocal, a Escola Desportiva Formigas do Cazenga, passou a ser a principal referência na formação de basquetebol. O clube tinha o andebol, mas foi extinto devido às dificuldades financeiras. E é a modalidade da ‘bola ao cesto’ que vem dando muitas alegrias aos moradores do Cazenga. Fruto deste trabalho é o título de campeão provincial, em sub-14, em 2017, e, no mesmo ano, o nacional, ganho no Namibe. A equipa sub-16 em feminino conquistou o campeonato nacional, em Malanje referente à época de 2018.

O coordenador revela que, tão logo as condições permitam, pretende abrir outras modalidades sobretudo de salas incluindo o xadrez. O clube abre as suas portas a partir das sete horas e fecha às 18 horas. Uma das ambições passa por cobrir a quadra desportiva, que irá permitir uma melhoria na qualidade do trabalho e reduzir os riscos. Hoje, caem muitos frutos e folhas que embaraçam os trabalhos da equipa técnica e podem causar lesões aos atletas. 

 

BOLSAS DE ESTUDO

Fruto dos bons desempenhos, em várias competições provinciais e nacionais, dez atletas foram agraciados com bolsas de estudo no Instituto Médio de Saúde ‘Joana Miguel’. Esta parceria benefecia todos os atletas, de ambos os sexos, que tiverem boas notas e bom comportamento. Por ser um projecto inclusivo, em que todos são chamados a dar o seu contributo, a direcção do Formigas reúne-se, de três em três meses, com os encarregados de educação para passar em revista as algumas orientações e saber do comportamento dos atletas fora dos campos desportivos. 

 

VOZ DAS FORMIGUINHAS

No clube há um ano, a pequena ‘formiguinha’ Sofia Sungo, de nove anos, a estudar a 3.ª classe, gosta do basquetebol e entrou no clube por influência do irmão. Com timidez, garante ainda não ter qualquer referência na modalidade. Já participou em competições oficiais da Associação Provincial e da Federação Angolana de Basquetebol e sonha ser médica.

Por sua vez, Teresa Teuria sempre quis ser basquetebolista. Com 11 anos, a frequentar a 7.ª classe, a atleta em sub-12, mostra qualidades técnicas e já sonha jogar na selecção nacional, no 1.º de Agosto ou no  Interclube, aconselhando as meninas a “lerem muito e a praticarem desporto”. Já com 1.90 cm de altura, Costa António sente-se orgulhoso por praticar basquetebol no Formigas que considera ser “uma família”. O extremo-poste começou a praticar a modalidade desde o ano passado por curiosidade e influência de um amigo, quando os dois resolveram medir e comparar alturas. Logo que ganhou o desafio, resolveu inscrever-se no Formigas.

 

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