Agostinho Kamuango, novo líder da JURA

Vitória da persistência

O actual secretário-geral da Jura Agostinho Kamunago, concorreu ao III Congresso do qual saiu derrotado. Mas o apoio dos outros cinco candidatos derrotados na primeira volta fez com que destronasse Aly Mango, que teve apenas o apoio de Manuel Ekuikui, que gostaria de apostar na continuidade.

Vitória da persistência
Mário Mujetes

Os delegados ao IV Congresso Ordinário da Jura elegeram Agostinho Kamuango, de 35 anos de idade, novo secretário-geral, mas apenas à segunda volta. Foi a segunda vez que Kamunago concorreu à liderança da organização juvenil da Unita. No anterior congresso, foi derrotado por Alicerces ‘Aly’ Mango. Desta vez, as posições inverteram-se. O novo secretário-geral conseguiu 187 votos, perfazendo 53,7 por cento, contra os 161 do rival ‘Aly Mango, que assim não conseguiu renovar o mandato.

Derrotado, Alicerces Mango mostrou-se disponível para continuar a trabalhar “para o engrandecimento da Jura”. Na hora da vitória, Agostinho Kamunago prometeu “cumprir as orientações da direcção do partido”. “O momento é mais de responsabilidade do que propriamente de alegria”, enfatizou o vencedor, reconhecendo que o processo “obedeceu aos marcos democráticos tal como sempre defendeu a Unita”.

O novo secretário-geral sublinhou ainda que, conhecidos e validados os resultados, terminam as disputas, apelando a que se arregacem as mangas e juntos trabalharem para engrandecer a Jura e o partido. “Vamos combater o imediatismo no seio da juventude, para perceberem que tudo na vida requer esforço e sacrifício”, prometeu, lembrando que a eleição decorreu no dia em que o país comemora 43 anos de uma independência.

Por seu turno, o secretário-geral elogiou Agostinho Kamuango como um concorrente “forte, persistente e um bom quadro”, com quem pretende continuar a trabalhar, sobretudo para transmitir alguns ensinamentos enquanto decorrer a passagem de pastas.

“O ambiente foi salutar e de festa, por isso recomendo a outras organizações juvenis a seguirem o exemplo”, desafiou Alicerces Mango, reconhecendo que, ao longo do seu mandato, terá cometido erros, que, segundo ele, “geraram alguma incompreensão”.

 

APELOS DO PRESIDENTE

O presidente da Unita, Isaías Samakuva, exortou a não considerarem que, no congresso, houve vencidos e vencedores, porque as candidaturas “não visam a satisfação de objectivos e ambições pessoais”. “Competem para servirem aqueles com os quais competiram e deles receber críticas em representação do interesse colectivo, por isso ajuda a eliminar as debilidades e a todos fortalece”, sublinhou Samakuva. 

O líder do Galo Negro saudou particularmente os candidatos não eleitos, considerando que contribuíram para fortalecer a Jura, bem como o secretário-geral eleito, por ter merecido a confiança dos delegados. “Vocês provaram ao país que na Unita não há unanimismo, mas reina o pluralismo. Não é só uma cabeça que pensa, mas há muitas boas cabeças a pensar e todas elas são queridas pelos membros, porque todas têm o seu valor”, enfatizou, ao concluir que, na Unita não há vitórias antecipadas.

O IV congresso Ordinário da Jura decorreu de 8 a 10 de Novembro, sob o lema ‘Jura, nova etapa, nova dinâmica para a vitória’.