Mais de 40 mortes em dois meses

Sarampo volta a atacar a Lunda-Norte

Em dois meses, as autoridades sanitárias da Lunda-Sul contabilizam 45 mortes e mais de 1.250 casos registados de sarampo. Está em curso uma campanha de vacinação na província e que vai se estender para à Lunda-Norte e Moxico. No mundo, o número de casos da doença tem aumentado os últimos dois anos.

Edno  Pimentel Edno Pimentel | Teresa Fukiady
Sarampo volta a atacar a Lunda-Norte

Para contrapor a propagação do sarampo na capital, foram criadas equipas móveis e fixas de vacinação, para imunizar crianças dos zero aos 14 anos.

 

 

Cerca de nove anos depois, a Lunda-Sul volta a ser abalada por um surto de sarampo. Em dois meses, as autoridades sanitárias contabilizam 45 mortes e mais de 1.250 casos registados. Em 2010, a doença matou mais de 50 pessoas naquela província.

Sem capacidade para resposta ao surto, a situação obrigou a que o Hospital Municipal de Saurimo desactivasse alguns serviços internos para permitir uma maior e melhor assistência aos pacientes. À Angop, a directora do hospital, Zila da Conceição, revelou que diariamente o hospital recebe cerca de 30 pacientes com a doença.

Para contrapor a propagação do sarampo na capital, foram criadas equipas móveis e fixas de vacinação, para imunizar crianças dos zero aos 14 anos. Prevê-se a vacinação de mais de 103 mil crianças. Foram disponibilizados mais de 25 mil doses de vacina e 32 especialistas, entre médicos, enfermeiros, epidemiologistas e técnicos de laboratório.

De acordo com a directora nacional de Saúde Pública (DNSP), Isilda Neves, a campanha vai estender-se às províncias vizinhas da Lunda-Norte e Moxico, para minimizar os efeitos do surto. Além da vacinação, está em curso a criação de grupos de voluntários para campanhas de sensibilização e mobilização das comunidades sobre a prevenção da doença.

 Aumento de casos

Em Março, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostravam que, nos primeiros três meses do ano, foram reportados mais de 112 mil casos da doença em 170 países. Em 2018, foram mais de 229 mil casos. Em 2017, o sarampo foi responsável por quase 110 mil mortes.

Segundo a OMS, a alta segue uma tendência dos últimos dois anos. E alerta que a taxa de cobertura vacinal global está abaixo da meta, em 85 por cento, e que os números de cobertura da segunda da dose da vacina são ainda menores: 67 por cento.

Vacinas por lei

Na Alemanha, os pais que se recusarem a vacinar os filhos contra o sarampo arriscam a serem multados até três mil euros. A proposta está patente no projecto de lei apresentado pelo ministro da Saúde, Jens Spahn. A lei poderá entrar em vigor em Março de 2022 e, se for aprovada no parlamento ainda este ano, tornará a vacina contra o sarampo obrigatória para todas as crianças em infantários e escolas. A medida visa ainda professores e médicos.

A intenção, segundo o governante alemão, é erradicar a doença. E acrescentou ainda que os pais terão até Julho de 2020 para comprovar a vacinação dos seus filhos. Caso contrário, serão alvo de multas e as crianças podem ser expulsas das creches.

A lei surge numa altura em que a Alemanha é listada como um dos países com maior número de casos de sarampo registados na Europa. Entre Março de 2018 e Fevereiro de 2019, foram reportados 651 casos. Só nos primeiros dois meses de 2019, foram registados na Alemanha 170 casos de sarampo.

De acordo com uma estimativa feita pelo Ministério da Saúde alemão, a lei afectaria cerca de 361 mil crianças não vacinadas, que já estão em escolas, e cerca de 220 mil adultos. As vacinas também se tornarão obrigatórias para funcionários em hospitais e consultórios médicos particulares.

Doença viral

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmitida pela fala, tosse e espirro e extremamente contagiosa, mas que pode ser prevenida pela vacina. A doença pode ser contraída em qualquer idade. As complicações infecciosas contribuem para a gravidade da doença, particularmente em crianças desnutridas e menores de um ano de idade. Em algumas partes do mundo, a doença é uma das principais causas de mortalidade entre crianças menores de cinco anos.

Principais sinais e sintomas

- Febre alta, acima de 38,5°C;

- Dor de cabeça;

- Manchas vermelhas, que surgem primeiro no rosto e atrás das orelhas, e, em seguida, se espalham pelo corpo;

- Tosse;

- Congestão nasal;

- Conjuntivite;

- Manchas brancas que aparecem na mucosa bucal conhecida como sinal de koplik, que antecede de um a dois dias antes do aparecimento das manchas vermelhas

 

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