Depois de 11 anos afastado dos ringues

Olavo Gamboa de regresso às galas de boxe

Afastado do boxe há 11 anos, Olavo Gamboa está de regresso. Projecta promover galas profissionais e planeia o Giraboxe, que pretende mostrar a modalidade nas cadeias e nos bairros. E está a construir, em Luanda, um ginásio que vai servir para competição e formação. Considerado pela critica como ‘Riquinho do boxe’, prometeu trazer para Angola figuras mundiais da modalidade como Mike Tyson e Floyd Mayweather.

Olavo Gamboa de regresso às galas de boxe
Santos Sumuesseca
Olavo Figueiredo Ferreira Gamboa

Olavo Figueiredo Ferreira Gamboacampeão de boxe de Portugal

Na altura, a federação estava a ser dirigida por pessoas sem visão e não faziam parte da família do boxe.

Ausente dos holofotes da modalidade durante 11 anos, Olavo Gamboa está de volta à ribalta do boxe profissional. Esclarece que esse afastamento da modalidade se deveu à “perseguição política” e garante que até houve uma intenção de o “eliminar fisicamente”. Tudo porque, diz ele, “falava demasiado”. Por isso, procurou refúgio na Europa e na África do Sul. Sente-se vítima de quem não gosta de pessoas que “falavam e defendiam a verdade e a dignidade”. “Não eram tidas, nem achadas”, afirma. Olavo Gamboa garante que tinha o nome numa pretensa “lista negra do anterior sistema político”. Daí ter interrompido a carreira para promover a modalidade.

Em Janeiro de 2018, retornou a promover o boxe. No mesmo ano, organizou duas galas na Lunda-Norte, alusivas ao dia do mineiro. Para dar maior força à modalidade, está a concluir a construção de um ginásio, o ‘quartel-general’ do boxe, que pretende servir os amantes da modalidade. Devido à crise financeira, lança um repto aos empresários para que ajudem financeiramente na aquisição de materiais para a finalização do ginásio. Além da vertente competitiva, o espaço também está projectado para a formação de atletas e treinadores. Olavo Gamboa sublinha que os dirigentes desportivos estão mais preocupados em construir pavilhões para servir o andebol e o basquetebol e esquecem as outras modalidades em especial, as individuais.

 


PROJECTO GIRABOXE

Para ocupar a juventude e travar da delinquência, Olavo Gamboa prepara o Giraboxe, um projecto que tem como objectivo ir ao bairros de Luanda uma vez por mês, realizar galas de boxe nos locais de maior aglomeração pública, sem cobrar bilhetes, em que qualquer um pode assistir aos combates. Olavo Gamboa discorda da ideia de que o boxe seja violento, prefere ver como uma modalidade de “combate que molda o comportamento e atitude das pessoas”. Como exemplo, cita o antigo pugilista Mike Tyson, que foi descoberto na rua. O promotor assegura que, nas cadeias de Luanda, está muita “juventude fértil para a prática do desporto, sobretudo o boxe” e que de lá “podem sair futuros campeões mundiais e africanos”. Defende que a melhor solução, nas cadeias, é ocupar o tempo dos reclusos com a prática do desporto. 

 


Estado da Modalidade 

Com a frontalidade que lhe é característica, Olavo Gamboa afirma não perceber as razões que levam o Ministério da Juventude e Desportos a atribuir apenas nove milhões de kwanzas anuais para apoiar a modalidade. “O que se faz com estes valores?”, questiona-se.

Lembra ainda que a actual situação económica de Angola “não está a ajudar a federação a responder e a resolver os seus problemas”. 

Olavo Gamboa vê na federação “o ponto mais alto do desenvolvimento da modalidade” e defende que ela só existe com a “criação de clubes e associações provinciais”. Com a Lei do Mecenato, espera que as empresas sejam chamadas a dar o contributo apoiando o desporto. “É a única saída que temos”, conclui.

 

SUSPENSO POR SEIS MESES

Em Outubro de 2008, devido à alegada desorganização na realização de uma gala de despedida do antigo pugilista Simão Muanda, Olavo Gamboa foi suspenso pela Federação Angolana de Boxe. Foram momentos que ele ainda hoje guarda com “muita tristeza”. Desde essa altura, insiste que houve “desinformação veiculada num dos jornais” que, segundo ele, “não correspondia à verdade”. “Na altura, a federação estava a ser dirigida por pessoas sem visão e não faziam parte da família do boxe”, critica. Garante nunca ter beneficiado de apoios de qualquer instituição desportiva, privada ou estatal, e que realizava as galas “com coragem e iniciativa própria”. Ainda desse ano, Olavo Gamboa considera que foi “uma boa gala, mas, infelizmente, as pessoas foram à caça de fantasma onde não existiam”.

 


LICENÇAS ESTRANGEIRAS

Olavo Gamboa começou a organizar galas de boxe na República Checa, onde possui a licença deste país e gaba-se de realizar galas no Casino Estoril, em Portugal, um dos maiores da Europa, em 2012 entre Manuel Gomes e um pugilista húngaro na defesa do título transcontinental na categoria super-nova.

Baptizado pela crítica como ‘Riquinho do boxe’, Gamboa põe a vaidade e o nome de lado, revela que não é impossível trazer para Angola o Mike Tyson e Floyd Mayweather e está projectar uma viagem aos Estados Unidos, uma vez que convites nunca faltaram para os primeiros contactos com estas figuras mundiais da modalidade. Quer ainda visitar as estruturas do boxe profissional norte-americano. 

 

O promotor reivindica ser o mentor da criação da Associação Profissional de Boxe Profissional, dirigida por Simão Muanda. Preferindo não entrar em detalhes, garante que há problemas entre os membros da federação e da associação.