Guiné Conácri

Mulheres manifestam-se contra Governo

Cerca de um milhar de mulheres, da Frente Nacional para a Defesa da Constituição (FNDC, oposição) na Guiné Conácri, manifestaram-se terça-feira (19) em Conácri para exprimirem a sua insatisfação contra as mortes durante ‘comícios pacíficos’, informou a PANA.

Mulheres manifestam-se contra Governo
D.R

Numa extensão de cerca de dois quilómetros, as mulheres, vestidas de vermelho ou de branco, percorreram as artérias de alguns bairros do subúrbio de Conakry para expandirem slogans hostis ao governo no poder, nomeadamente ao chefe do Estado, Alpha Condé, qualificado de “zero”.

Nos panfletos, podia ler-se "Libertem nossos maridos e nossos filhos", "Chega de Mortes aos nossos filhos”, “É demais”, “Queremos justiça para os nossos filhos”.

À margem da manifestação, enquadrada pelas forças de defesa e de segurança, a porta-voz da FNDC, Hadja Maimouna Bah Diallo, deputada, vice-presidente da União das Forças Democráticas de Guiné (UFDC), o principal partido da oposição, afirmou ter sido direccionada pelo Governo.

"Saimos ainda para dizer basta às mortes aos nossos filhos. Desde que a FNDC começou as suas manifestações, houve cerca de 20 mortos”, indignou-se.

Acrescentou que "as mulheres, fonte de vida, estão chocadas por estes ataques bárbaros por parte das forças da ordem que matam os nossos filhos."

Saudou "a honestidade" da Amnistia Internacional que, num recente relatório sobre a Guiné Conakry, denunciou "a violação dos direitos humanos" no país.

Por seu turno, Hadja Sarangbé Condé, presidente das mulheres da FNDC, disse que as manifestações continuarão até quando forem satisfeitas as suas reivindicações.

" Estamos à frente de um Governo bandido, onde é preciso fazer pressão obrigatoriamente para que ele compreenda”, disse. Acrescentando que as mulheres exigem a instauração de uma comissão de inquérito para encontrar criminosos e puni-los.

Criada em Abril último por actores da sociedade civil, a FNDC é constituída igualmente por artistas, sindicalistas, líderes políticos da oposição que afirmam ser determinados a impedir a organização de um referendo, destinado a mudar a Constituição para permitir ao Presidente Alpha Condé disputar um terceiro mandato, além do seu segundo e último quinquénio que terminará em finais de Outubro de 2020.

Quanto ao seu coordenador, Abdouramane Sanoh, e aos seus sete outros camaradas, foram detidos na véspera das primeiras manifestações de rua, a 14 de Outubro último, tendo sido julgados e condenados a pena de prisão firme que vão de seis meses a um ano.

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