Mais fome e mais pobreza

Mais fome e mais pobreza

Pelo menos, três em cada 10 angolanos passam fome. A conclusão é do relatório ‘Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018 (SOFI)’ da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado em Setembro. Em Angola, 23,9 por cento da população passa fome, o que equivale a que 6,9 milhões de angolanos não tenham acesso mínimo a alimentos. Dados do Instituto Nacional de Estática (INE) estimam que a população é de mais de 29 milhões de habitantes.

No relatório, a FAO refere que cerca de 821 milhões de pessoas, cerca de uma em cada nove no mundo, passaram fome em 2017, um aumento de 17 milhões em relação ao ano anterior.

Por outro lado, no Índice de Fome Global (Global Hunger Index - GHI), Angola ocupa 95.º lugar entre 119 países qualificados. Angola está entre os países em que a fome é considerada grave. Entre os 52 países com as taxas mais preocupantes no Índice Global da Fome 2018, estão Moçambique, Angola e Guiné-Bissau. Sendo Angola o segundo país africano de Língua Oficial Portuguesa pior classificada, onde a população mais sofre por causa da fome. O relatório inclui Moçambique e Guiné-Bissau, como países dos PALOP que também registam altos índices de fome. Moçambique é o pior classificado. No total, o índice apresenta dados de 119 países.  

 

Fome mata quase 3.500 crianças

Um total de 3.495 crianças morreu, no ano passado, por desnutrição, de acordo com os dados da Direcção Nacional de Saúde Pública (DNSP), a que o NG teve acesso recentemente. Os dados mostram ainda que, no ano passado, foram atendidas mais de 148 mil crianças menores de cinco anos com desnutrição aguda severa sem complicações no Programa de Atendimento em Ambulatório. Destas, 1.551 morreram, 93.840 tiveram alta e 32.060 abandonaram o tratamento. Em 2017, neste programa, foram admitidos 266.400, destas tiveram alta como curados 34.131 e 91.024 abandonaram o tratamento.

Pelo menos, 38 em cada 100 crianças angolanas sofrem de malnutrição crónica e outras 15 em cada 100, de malnutrição severa. Os dados são do último Inquérito de Indicadores Múltiplos de Saúde 2015-2016. A taxa de desnutrição crónica é de 38 por cento, quase o dobro do padrão estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de menos de 20 por cento. Angola é o terceiro país da SADC com mais casos de desnutrição crónica.

 

Mais pobres

Dos cerca de 30 milhões de habitantes que residem em Angola, 48 por cento vive na pobreza multidimensional, segundo indicadores de linha de base sobre os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o relatório de 2017 sobre as Perspectivas da Pobreza na África subsariana, do Grupo Banco Mundial, actualmente, 30,3 por cento dos angolanos vivem com menos de 1,90 dólares por dia, estimativa que deverá manter-se até 2020. Segundo o INE, Angola tem actualmente perto de 30 milhões de habitantes, o que significa que pouco mais de 8,8 milhões vivem na pobreza extrema, “número que deverá aumentar para 8,9 milhões até 2020”.

 

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