Por violação do regulamento do concurso

Lourenço Mussango perde prémio António Jacinto 2020

O júri do Prémio António Jacinto anunciou, nesta quarta-feira, em Luanda, a retirada do galardão atribuído a Lourenço Catari Mussango, na edição 2020, por violação do regulamento do concurso.

Lourenço Mussango perde prémio António Jacinto 2020
D.R

O vencedor violou o ponto 2 do artigo 3 do regulamento do Prémio Literário António Jacinto, que determina que as obras submetidas a concurso devem ser originais, inéditas e de criação própria.

Lourenço Catari Mussango ‘Tetembwa’, escritor e jornalista, havia sido declarado vencedor do referido prémio literário com a obra ‘Mulher Infinita’ mas, o júri do concurso integrado pelos professores Joaquim Martinho e Domingas Monteiro diz ter sido alertado, por denúncias nas redes sociais, pelo escritor brasileiro Paulo Cantarelli, sobre plágio do seu conto ‘Serena’.

“A denúncia levou os membros do jurado a avaliar a situação, comparando os dois contos, concluindo haver confluência morfossintátivas, estruturais e de conteúdo que configuram na verdade a existência real de plágio”, refere o júri em nota de imprensa.

Avança que o vencedor violou o ponto 2 do artigo 3 do regulamento do Prémio Literário António Jacinto, que determina que as obras submetidas a concurso devem ser originais, inéditas e de criação própria.

“Em razão do acima exposto, o júri, consciente que a manutenção da atribuição do prémio a um título bibliográfico que configura plágio e falta de honestidade intelectual, constituiria um verdadeiro entorse ao regulamento e prestígio da distinção, decidiu retirar o Prémio Literário António Jacinto a Lourenço Catari Mussango”, reforça.

Em resposta, Lourenço Mussungo escreveu na sua página do Facebook que a informação que consta na acta "está longe" de ser o verdadeiro motivo da suposta anulação do referido prémio.

"A verdade é que, sem se analisar as provas materiais que comprovam qualquer verdade, o júri decidiu demarcar-se para salvaguardar a imagem do INIC e, como ambos afirmam, do Executivo", lê-se no comunicado.

Na publicação o autor avança que o argumento do júri "prende-se na ideia de que o Prémio Literário António Jacinto não pode ser manchado por uma acusação de plágio. Ou seja, qualquer escritor que participa desse prémio não goza de nenhuma protecção". Considerando o posicionamento do júri como sendo "precipitado e injusto", visto que a última edição do Prémio Literário António Jacinto foi atribuída a uma obra de oito contos, o que quer dizer que o prémio é resultado da avaliação da obra e não de excertos de um só conto. Ainda mais de excertos que, junto do INIC, provamos ser de nossa autoria, explica Lourenço Mussungo, na nota. 

Desde a sua instituição, em 1993, está é a primeira vez que o prémio é retirado por violação dos regulamentos.

O Prémio Literário António Jacinto, que atribui ao vencedor o equivalente em kwanzas a cinco mil dólares e a publicação em livro da referida obra, visa incentivar o surgimento de novos autores e novas obras literárias de autores angolanos.

O prémio, que conta com o patrocínio do Banco de Poupança e Crédito (BPC), é uma realização do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INIC) com periodicidade anual em homenagem ao Poeta António Jacinto do Amaral Martins, um dos grandes vultos das Letras e da Cultura Nacional.

Ao longo da sua existência foram atribuídos 19 prémios (12 em poesia e 6 em prosa), 8 menções honrosas (6 em poesia e 2 em prosa).