Para a remoção de minas terrestres

Governo investe 60 milhões na bacia do Okavango

O Governo anunciou o investimento de 60 milhões de dólares para a remoção de minas terrestres da bacia do rio Okavango, no âmbito de uma conferência em Londres.

Governo investe 60 milhões na bacia do Okavango
D.R.

O Kubango-Kubango é a província mais afectada do país, representando 25 por cento do total dos campos minados, correspondente a cerca de 22 quilómetros quadrados, diz relatório.

O financiamento, a aplicar num projecto da organização não-governamental britânica Halo Trust ao longo de cinco anos, destina-se a limpar 153 campos minados dentro dos parques naturais de Mavinga e Luengue-Luiana, no Kuando-Kubango.

Na região, disse James Cowan, presidente executivo da Halo Trust, vive 50 por cento da população de elefantes no mundo e tem uma grande diversidade de vida selvagem, abrangendo vários países (Angola, Botsuana, Namíbia, Zâmbia e Zimbábue).

No entanto, a presença de minas terrestres impede tanto o trabalho de ambientalistas como o uso das terras para agricultura.

"A conservação natural não é apenas para proteger animais, mas também as pessoas. Se conseguirmos que as populações se desenvolvam e se possam dedicar a actividades como agricultura, podem deixar de recorrer à caça ilegal", afirmou.

A região tem também potencial em termos turísticos, podendo beneficiar globalmente cerca de 500 mil pessoas, adiantou Adriano Gonçalves, director de Relações Internacionais da Comissão Nacional Intersectorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH).

A Halo Trust estima que sejam precisos mais 60 milhões de dólares para limpar os campos minados restantes junto aos parques naturais, tendo Cowan lançado um apelo a contribuições para completar o financiamento necessário.

O projecto foi revelado durante a conferência ‘Remoção de Minas, Conservação Natural e Desenvolvimento Económico em Angola’, organizado no Instituto Real de Relações Internacionais – Chatham House, em parceria com a Halo Trust.

Numa intervenção no final do evento, a ministra do Ambiente de cAngola, Paula Coelho, vincou que este investimento não será apenas aplicado na desminagem, mas também na certificação de terrenos limpos, para atrair investidores.

Disse ainda que o Governo quer melhorar a gestão dos parques naturais e integrar antigos militares nas equipas, para que se possam tornar "soldados da natureza".

Governo investe 60 milhões na remoção de minas na bacia do Okavango

"Angola tem o potencial de abrigar mais elefantes do que tem agora", garantiu Paula Coelho, referindo o desejo de colaboração com outros países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para facilitar a circulação destes animais na região.

De acordo com um relatório do grupo parlamentar interpartidário britânico sobre Angola, produzido pelo Chatham House, o Kubango-Kubango é a província mais afectada do país, representando 25 por cento do total dos campos minados, correspondente a cerca de 22 quilómetros quadrados.

Até 2017, 15 anos depois do fim da guerra civil, a Halo Trust, juntamente com as organizações Mines Advisory Group (MAG) e Norwegian's People Aid (NPA) tinham limpado 56 por cento dos campos minados em Angola.

Na última década, o financiamento internacional caiu 80 por cento, de um pico de 48,1 milhões de dólares em 2006 para um mínimo histórico de 3,1 milhões de dólares em 2017.

Para Angola atingir o objectivo de eliminar todas as minas terrestres até 2025 precisa de 275 milhões de dólares, ou 40 milhões de dólares por ano. Porém, o relatório estima que, à taxa actual de financiamento, o objectivo só será atingido em 2046.

A conferência foi concluída pelo príncipe Harry, que participou noutros eventos relacionados com a remoção de minas terrestres, seguindo os passos da mãe, que apadrinhou a campanha ao visitar Angola em 1997.

 

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