1.º de Agosto novamente campeão nacional de futebol

Girabola: transição com velhos problemas

O 1.º de Agosto é campeão pela terceira vez consecutiva. O Petro de Luanda, o vice-campeão, enquanto JGM, por dificuldades financeiras, acompanha o Domant do Bengo e 1.º de Maio de Benguela na segunda divisão. A próxima época começa em Outubro e termina em 2019.

Girabola: transição com velhos problemas
Santos Samuesseca
Os 'militares' terminaram a prova com 57 pontos

Este campeonato entra para a história do futebol como o primeiro a finalizar quase a meio do ano. É o Girabola da transição. A próxima época começa a ser disputada em Outubro e assim Angola acerta o calendário com as principais competições mundiais, em especial, as disputadas na Europa.

Em 28 jogos disputados, o campeonato ficou marcado pelo 1.º d’Agosto, que venceu o 12.º título. Os ‘militares’ usaram a máxima de que os ataques ganham os jogos e as defesas, o campeonato. Não tiveram o melhor ataque, mas conseguiram ser a defesa menos batida.

A equipa do JGM, do Huambo, por dificuldades financeiras, ficou-se pelo caminho.

Os ‘militares’ terminaram a prova com 57 pontos, contra 54 do Petro de Luanda. Este é o 12.º título dos ‘militares’ e ficam a três conquistas de igualar o Petro, que lidera a galeria dos títulos com 15. O melhor ataque foi do Kabuscorp com 43 golos, seguindo-se o do Petro, com 38, Interclube, 32, 1.º de Agosto, 31, e Sagrada Esperança com 29 golos marcados. A melhor defesa foi a do 1.º de Agosto, que sofreu apenas oitos golos. Com 15, 17, 21 e 23 golos sofridos ficaram as equipas do Petro de Luanda, Desportivo da Huíla, Académica do Lobito e Interclube. E com piores defesas estão as equipas do Domant do Bengo que obteve cinco vitórias e sofreu 39 golos, enquanto o 1.º de Benguela, em cinco vitórias, sofreu 36 golos.

Campeões e treinadores vencedores

Petro de Luanda

1982 - António Clemente

1984 - Severino Miranda

1986 - Carlos Silva

1987 - António Clemente

1988 - António Clemente

1989 - Carlos Queirós

1990 - Carlos Queirós

1993 - Goiko Zec

1994 - Goiko Zec

1995 - Osvaldo Saturnino

1997 - Jorge Ferreira

2000 - Djalma Cavalcanti

2001 - Djalma Cavalcanti

2008 - Bernardino Pedroto

2009 - Bernardino Pedroto

 

1.º de Agosto

1979 - Nicola Berardinelli

1980 - Ivan Ridanovic

1981 - Joaquim Dinis

1991 - Dusan Kondic

1992 - Dusan Kondic

1996 - Mário Calado

1998 - Daniel Ndunguidi

1999 - Daniel Ndunguidi

2006 -  Johannes Brouwer

2016 -  Dragan Jovic

2017 -  Dragan Jovic

2018 - Zoran Maki

 

Recreativo do Libolo

2011 - Zeca Amaral

2012 - Zeca Amaral

2014 - Miller Gomes

2015 - João Paulo Costa

 

ASA

2002 - Bernardino Pedroto

2003 - Bernardino Pedroto

2004 - Bernardino Pedroto

 

1.º de Maio de Benguela

1983 - Petar Kzernevic

1985 - Rui Rodrigues

 

Interclube

2007 - Carlos Mozer

2010 - Álvaro Magalhães

 

Sagrada Esperança

2005 - Mário Calado

 

Kabuscorp do Palanca

2013 - Edward Antranik

 

Treinador com mais títulos

O técnico português Bernardino Pedroto, que se estreou em 2001 no Girabola, é o técnico com mais títulos do campeonato, somando cinco, três com o ASA e dois com o Petro de Luanda.

Desistência

Em Abril, a equipa de Jorge Gomes Mangrinha, mais conhecida como JGM do Huambo, abandonou o Girabola por incapacidade financeira. Foi a primeira vez que o principal campeonato ficou sem um clube no decorrer da prova, apesar das constantes ameaças, nos anos anteriores, do Sporting de Cabinda e do Bravos do Maquis. Girabola ficou com menos um participante. O conjunto do JGM, fundado a 12 de Maio de 1998, noHuambo, ascendeu ao Girabola em 2017.

Girabola de transição

Pela primeira vez no futebol nacional, não se disputou a Supertaça e Taça de Angola. Foi uma decisão da Federação Angolana de Futebol (FAF) com a aceitação dos clubes, mas os adeptos não receberam bem a decisão. O campeonato foi disputado em apenas seis meses, ao contrário dos nove das edições anteriores, ou seja, a prova começava em Fevereiro e terminava em Novembro. Este ano, as equipas vão cumprir as férias em Setembro, ao passo que em Outubro arranca o novo modelo do Campeonato Nacional época 2018-2019. Assim, a FAF responde positivamente ao que foi deliberado pelo Comité Executivo da Confederação Africana de Futebol (CAF), com vista a uniformizar os calendários competitivos no continente. 

Invasão de adeptos

Com as entradas grátis, o primeiro anel do estádio 11 de Novembro, em Luanda, esteve quase cheio para assistir ao jogo derradeiro do 1.º d’Agosto, o da festa do título, com os adeptos uniformizados com as cores do clube. Após o apito final do árbitro Benjamim Andrade, os adeptos conseguiram furar o cordão de segurança composto por mais de 45 policias de intervenção rápida. Mesmo com a ajuda de segurança privada, a relva do 11 de Novembro foi invadida pelos adeptos que foram abraçar os jogadores. A emoção foi tanta, que os placards publicitários e as balizas não foram poupados pelos ‘invasores militares’.

General no comando

O general de ‘três estrelas’ Carlos Hendrick é o ‘comandante em chefe’ do 1.º de Agosto. Considerado pela crítica como o melhor dirigente desportivo, no final do Girabola, pôs de lado a vaidade e assegurou que vai continuar a projectar melhorias logísticas e conquistar títulos no campeonato nacional da primeira divisão. O dirigente, que substituiu o irmão Raul Hendrick na presidência do clube, sublinhou que o clube militar vai continuar a apostar na melhoria das infra-estruturas para todas as modalidades.

Despromovidos

As equipas do JGM do Huambo, Domant do Bengo e 1.º de Maio de Benguela foram ‘despachadas’ para a segunda divisão, também chamada de ‘Segundona’. No caso do 1º de Maio, é a quarta vez que é despromovida, depois de 2011, 2014 e 2016, mas nesta última edição teve a “graça” da desistência do Benfica de Luanda e foi convidada a participar na edição de 2017. 

Punições

Entre Maio e Junho, a FAF puniu o Kabuscorp, retirando-lhe 12 pontos por causa das dívidas contraídas com o antigo jogador brasileiro Rivaldo. A FIFA reforçou o castigo e mandou retirar mais seis pontos por incumprimento de algumas prestações que o clube deveria pagar ao TP Mazembe da República Democrática do Congo (RDC). Tudo se deve à contratação do médio congolês Tresor Mputu Mabi em 2014. E quem também recebeu a ‘mão pesada’ da FIFA foi o Progresso do Sambizanga, perdendo seis pontos depois de ter dívidas pendentes com o ganês Raphael Kwaku Obeng.

Melhores marcadores

Aos 30 anos e com 20 golos, o avançado brasileiro do Petro de Luanda, que nos próximos tempos pode obter a nacionalidade angolana, Tiago Azulão, foi o melhor marcador. Os seus concorrentes foram Magrão, do Libolo, e Mano Calesso, do Interclube, com 12 golos cada. O brasileiro, que chegou em 2016, marcou nove golos em 17 jogos naquele ano. Mas Carlos Alves continua a ser o recordista, com 29 tentos, em 1980.

1979 - João Machado, 18 golos

1980 - Carlos Alves, 29 golos

1981 - Maluca, 20 golos

1982 - Jesus, 21 golos

1983 - Maluca, 17 golos

1984 - Jesus, 22 golos

1985 - Jesus, 19 golos

1986 – Arsénio Túbia, 20 golos

1987 - Mavó, 20 golos

1988 - Manuel, 16 golos

1989 - André, 18 golos

1990 - Mona, 17 golos

1991 - Amaral Aleixo, 23 golos

1992 - Amaral Aleixo, 20 golos

1993 - Serginho, 14 golos

1994 - Kabongo, 16 golos

1995 - Serginho, 19 golos

1996 - César Caná, 15 golos

1997 - Zé Neli, 12 golos

1998 - Betinho, 14 golos

1999 – Isaac, 16 golos

2000 - Blanchard, 19 golos

2001 - Flávio, 23 golos

2002 – Flávio, 16 golos

2003 - André, 12 golos

2004 - Love Kabungula, 17 golos

2005 - Love Kabungula, 13 golos

2006 - Manucho Gonçalves, 16 golos

2007 - Manucho Gonçalves, 15 golos

2008 - Santana, 20 golos

2009 - David, 19 golos

2010 - Daniel Mpelempele, 14 golos

2011 - Love Kabungula, 20 golos

2012 - Yano, 14 golos

2013 - Meyong, 20 golos

2014 - Meyong, 17 golos

2015 - Yano, 13 golos

2016 – Gelson Dala, 23 golos

2017 – Tiago Azulão, 16 golos

2018 – Tiago Azulão, 20 golos