Seis mil desmobilizados reforçam quadro da Polícia

A Polícia anunciou hoje que está a admitir 6.000 ex-militares desmobilizados das Forças Armadas Angolanas (Faa), num processo que "obedece a todos os requisitos legais" e que já apurou, até ao momento, 2.581 candidatos.

Seis mil desmobilizados reforçam quadro da Polícia
D.R.

O recrutamento de ex-militares para o ingresso na Polícia Nacional é liderado por uma comissão integrada por membros da Direcção Principal de Pessoal e Quadros do Estado Maior General das Faa e do Comando Geral da Polícia Nacional.

Segundo o director nacional de Recursos Humanos da Polícia Nacional, José Moniz, a modalidade de recrutamento de ex-militares das Faa para o quadro da polícia "não é linear", cumpre vários requisitos e decorre a "nível central e nas regiões militares" do país.

O responsável falava hoje em conferência de imprensa para prestar esclarecimentos sobre o recrutamento, quando um grupo de ex-militares reclama o "ingresso imediato" no quadro de efectivos da Polícia Nacional.

"Inúmeras reclamações", quer de ordem formal e informal, colectiva ou individual, de instituições públicas e da sociedade civil, sobre a admissão de desmobilizados das Faa têm chegado ao Comando Geral da Polícia.

No princípio de Agosto, a Polícia anunciou a detenção de 11 ex-militares das Faa, que participavam numa manifestação "violenta" para exigir o seu ingresso na Polícia Nacional.

Um comunicado da polícia referia que a acção juntou cerca de 300 manifestantes, na avenida Deolinda Rodrigues, junto à unidade militar do Grafanil, município de Viana, em Luanda.

Os ex-militares foram acusados de terem cometido os crimes de assuada (desordem) e de terem provocado danos materiais em veículos durante a manifestação.

Hoje, José Moniz esclareceu que o ingresso na polícia decorre nos termos do Decreto n.º 117/08 de 22 de Outubro, que aprova o Regulamento de Carreiras Profissionais da Polícia Nacional, de que emanam vários requisitos, entre os quais a "situação militar regularizada".

Em 2016, a Polícia admitiu 6.000 efectivos desmobilizados das Faa e está em curso a admissão de mais 6.000 cidadãos nessa condição, um processo que apurou já 2.581 candidatos e deve estar concluído até Outubro de 2019.

"Actualmente o processo [de recrutamento] ainda é feito nos quartéis, ou seja, assim que os militares são passados à disponibilidade inicia-se o processo de aferição do pessoal seleccionado, com testes se os candidatos reúnem os requisitos que estipula o decreto", explicou.

"O facto de ser desmobilizado não é um direito adquirido já para ingressar na polícia, tem que se cumprir os requisitos e o que se passa é que alguns ex-militares pensam já que têm de passar diretamente para a polícia", acrescentou o responsável da Polícia.

O recrutamento de ex-militares para o ingresso na Polícia Nacional é liderado por uma comissão integrada por membros da Direcção Principal de Pessoal e Quadros do Estado Maior General das Faa e do Comando Geral da Polícia Nacional chefiada pela Inspecção Geral e integra os comandantes das regiões militares coadjuvados pelos comandantes provinciais da Polícia.

RECOMENDAMOS

POPULARES

ÚLTIMAS