Dificuldades de investimento analisadas

Empresários falam em “péssimo” ambiente de negócios

Empresários falam em “péssimo” ambiente de negócios

Alta inflação, a escassez de divisas e as mudanças de políticas, provocadas pela mudança de cargos políticos, têm agravado o ambiente de negócios em Angola que é “péssimo” e “débil”, concluem empresários e empreendedores que se juntaram num fórum sobre sustentabilidade, na semana passada, em Luanda.

Ao descrever a “débil” situação da economia, o líder empresarial Jorge Baptista aponta para a falência de empresas e considera mesmo que “quem sobreviver vai ser um empresário exímio, que pode vender, concorrer, ter uma boa marca e ser exemplo para os outros”. Entre vários constrangimentos, Jorge Baptista exemplifica com a demora nos pagamentos por parte das cadeias de distribuição. “Por exemplo, coloco o meu produto numa determinada cadeia de distribuição. Depois de assinado o contrato, começa a distribuição. A unidade comercial vende o meu produto em uma semana e quer pagar em 150 dias. E, se não fizer a entrega na semana a seguir, ele arranja outro fornecedor. Eles têm poder sobre nós. O ambiente de negócios não é favorável, mas é preciso recuar e criar bases”, detalha, no que é seguido pelo jornalista e empreendedor Ernesto Bartolomeu.

Destacando as dificuldades de acesso ao crédito e de levantamentos de dinheiro nos bancos, Bartolomeu está convencido de que o ambiente de negócios em Angola “não permite” que as empresas tenham lucro. Por isso, não só ‘trocou’ Angola pelo Congo Democrático, como já considera o país vizinho “o mercado de eleição”. Proprietário de fazendas que produzem batatas, o conhecido apresentador de televisão vê “resultados positivos”, na relação comercial com operadores do país vizinho, visto que recebe os pagamentos em dólares e não os coloca nos bancos já que, muitas vezes, estes “não deixam os clientes retirar os seus valores”. “O que me fez sair do mercado foi o facto de fazer as entregas para o pagamento em 120 dias e não pagarem. Não posso. E, quando chegam os 120 dias, já estou à rasca. E ainda ameaçam, apesar dos contratos por se cumprir. Depois leva-se o caso ao tribunal e pode durar um a dois anos. Não sabia que, no Congo (Democrático) gostavam de batatas e das boas. E ainda pagam”, declara.

O director geral da Angocajú, por sua vez, considera que é preciso “coragem de super-homem para se ser empresário”. Além da conjuntura de imprevisibilidade, Camilo Ortet identifica as consequências das mudanças de cargos políticos. Para o empresário, os obstáculos fazem com que os angolanos tenham “mente aberta para ultrapassar barreiras que, se calhar, os outros empresários na diáspora não o fariam”.