Na Argélia

Ex-chefes de governo condenados a 15 anos

Dois antigos primeiros-ministros argelinos, Ahmed Ouyahia e Abdelmalek Sellal, foram condenados 15 e 12 anos de prisão, respetivamente. Os réus foram julgados por favorecimento na indústria automóvel.

Ex-chefes de governo condenados a 15 anos
D.R

Foi a primeira vez desde a independência da Argélia em 1962 que foram julgados dirigentes deste nível e esta foi a condenação por corrupção mais destacada desde o início do movimento de protesto antigovernamental em Fevereiro.

Um tribunal argelino condenou, esta terça-feira por corrupção, dois antigos primeiros-ministros, Ahmed Ouyahia e Abdelmalek Sellal, respectivamente a 15 e 12 anos de prisão, num julgamento histórico, indicou a agência oficial APS.

O anúncio do veredicto ocorre a dois dias das eleições presidenciais da Argélia rejeitadas pela rua, que critica os candidatos em disputa, todos direta ou indiretamente ligados ao poder do ex-presidente Abdelaziz Bouteflika. Ouyahia e Sellal, antigos responsáveis da era do presidente Bouteflika, obrigado à demissão sob a pressão da rua em Abril, foram julgados com outros ex-altos dirigentes políticos e grandes empresários.

Abdeslam Bouchouareb, antigo ministro da Indústria, que fugiu para o estrangeiro, foi condenado à revelia a 20 anos de prisão, segundo a APS. Dois outros ex-ministros da Indústria, Mahdjoub Bedda e Youcef Yousfi, receberam a pena de 10 anos de prisão e a ex-governadora Nouria Yamina Zerhouni cinco anos.

O antigo presidente da principal organização patronal do país, que presidia também ao maior grupo privado da Argélia, Ali Haddad, foi condenado a sete anos de prisão. Três outros empresários, Ahmed Mazouz, Hassen Arbaoui e Mohamed Bairi, receberam penas de sete, seis e três anos de prisão, respectivamente.

Abdelghani Zaalane, antigo ministro dos Transportes e ex-director de campanha de Bouteflika para as presidenciais de Abril de 2019, que foram anuladas, foi absolvido. O juiz disse ainda que os bens do conjunto dos funcionários e os das suas famílias foram confiscados.

Os réus foram julgados na última semana por favorecimento na indústria automóvel, através de parcerias entre marcas estrangeiras e grandes grupos argelinos, propriedade de empresários ligados à administração do presidente deposto.

Foi a primeira vez desde a independência da Argélia em 1962 que foram julgados dirigentes deste nível e esta foi a condenação por corrupção mais destacada desde o início do movimento de protesto antigovernamental em Fevereiro.