Atropelo nas datas e falta de publicação das listas dos candidatos

Impasse eleitoral na Ordem 
dos Médicos

As datas agendadas e divulgadas no ano passado para o arranque do processo eleitoral na Ordem dos Médicos de Angola foram ultrapassadas pela comissão eleitoral sem aviso prévio aos candidatos, que ameaçam destituir a comissão e a direcção da Ordem. Os candidatos acusam a comissão eleitoral de estar a “engendrar” manobras para manter à frente da organização o bastonário cessante, Carlos Pinto de Sousa. A presidente da comissão eleitoral promete reformular as datas.

Impasse eleitoral na Ordem 
dos Médicos
Manuel Tomás

O calendário divulgado, em 2018, pela Ordem dos Médicos de Angola previa as eleições para 14 de Fevereiro.

A eleição para o novo bastonário da Ordem dos Médicos de Angola, que substituirá Carlos Pinto de Sousa, encontra-se num impasse. Depois das polémicas que se levantaram, em 2018, quanto à constituição e configuração da comissão eleitoral, o processo, que deveria arrancar a 3 deste mês, ainda não começou e os pré-candidatos desconfiam que haja “manobras propositadas”, depois de este estar à frente da organização por quatro mandatos, sendo três de forma “ilegal”.

Jeremias Agostinho, mandatário da candidatura de Elisa Gaspar, a única mulher a concorrer, classifica o comportamento da comissão eleitoral como um “absurdo, uma autêntica violação dos estatutos e da integridade da organização”. De acordo com ele, a Ordem dos Médicos de Angola é uma instituição que “não merecia que o processo eleitoral, para a renovação do mandato de um bastonário, que há 11 anos dirige ilegalmente a instituição, fosse realizado com tantos atropelos”.

Jeremias Agostinho destaca a forma como foi constituída a comissão eleitoral que, segundo ele, “não cumpriu com os estatutos”. No início do processo, o actual bastonário “auto-indicou-se ao cargo e só saiu depois de fortes pressões”, alerta Jeremias Agostinho. Em substituição, indicou Ana Veríssimo, que também “está na condição de ilegalidade, não deveria ter sido nomeada nestes moldes”, lamenta.

O mandatário critica a actual presidente da comissão eleitoral por fazer um “péssimo trabalho” e acusa a “comissão de não dar informações, não sensibilizar os membros para participarem no processo e de não explicar quais serão os moldes da realização das eleições”.

O responsável questiona a idoneidade da comissão para continuar com o processo, sendo que desconfia que não tenha por causa das “falcatruas e os atropelos gigantescos ao calendário eleitoral” que estão a existir.

Jeremias Agostinho promete contactar os mandatários das outras listas para concertarem ideias, com o objectivo de se “reiniciar” o processo e “suspender” a actual comissão eleitoral por “não ter capacidade de realizar um processo transparente e com a lisura que se pretende. Também está em vista a convocação de uma assembleia-geral para suspender a direcção da Ordem dos Médicos de Angola.

Ao NG, a presidente da comissão eleitoral, Ana Veríssimo, garantiu estar a reformular o calendário e a actualizar as datas, tendo prometido pronunciar-se sobre o processo e divulgar as novas datas, nos próximos dias.

Outro pré-candidato que se mostra “preocupado” é Miguel Bettencourt, realçando a falta de informações que “coloca todo o processo em causa e ninguém da comissão eleitoral está a dizer o que está a fazer”. Miguel Bettencourt reconhece ser “importante a divulgação da informação junto dos médicos e da comunidade em geral”.  O NG tentou a todo o custo ouvir os pronunciamentos dos outros dois pré-candidatos, Mário Fresta e Luís Pascoal, estão com os contactos telefónicos desligados.

 

Agenda alterada

O calendário divulgado, em 2018, pela Ordem dos Médicos de Angola previa as seguintes datas:

-Dia 26 de Novembro 2018 - publicação da lista dos candidatos apurados.

-De 18 a 26 de Dezembro 2018 - apresentação dos cadernos eleitorais, confirmação dos nomes e apresentação de reclamações dos eleitores apurados.

- 3 de Janeiro 2019 - divulgação de listas oficiais e ordem no boletim de votos.

- 7 de Janeiro - início da campanha eleitoral.

- 14 de Fevereiro - votação.