Troca de ‘mimos’ já vem desde Junho

Isabel dos Santos não se sente vítima dos ‘ataques’ de João Lourenço

A filha de José Eduardo dos Santos não se revê como sendo alvo das críticas do Presidente da República, que foram proferidas sem citar nomes. Isabel dos Santos lembra que há contestação em várias áreas da sociedade. João Lourenço e a empresária têm trocado ‘mimos’ desde Junho.

Isabel dos Santos não se sente vítima dos ‘ataques’ de João Lourenço

Isabel dos Santos garante que não se sente entre as pessoas a quem o Presidente da República se referiu, quando se manifestou preocupado por “cidadãos nacionais evocarem, quem sabe desejarem e até financiarem, uma provável instabilidade política”.

 “Não tive essa percepção”, respondeu a empresária e filha de José Eduardo dos Santos quando questionada se, assim como muitos, não teve a percepção de que ela era um dos alvos de João Lourenço. “Há vários movimentos da sociedade que têm demonstrado estar insatisfeitos com as condições actuais no país, como as igrejas, as zungueiras, os médicos, os professores, etc. Alguns destes estratos têm organizado e feito marchas públicas. Acho que quando se falou na instabilidade, referiu-se a estas manifestações”, argumenta a empresária.

As palavras de João Lourenço, no discurso de abertura da 6.ª reunião do comité central do MPLA, foram entendidas, por muita gente ligada à política e não só, como uma resposta a um comentário da empresária, feito a 21 de Novembro. “A situação está a tornar-se cada vez mais tensa, com a possibilidade de se juntar à crise económica existente uma crise política profunda”, escreveu Isabel dos Santos no Twitter no mesmo dia em que José Eduardo dos Santos fez a declaração que garantia ter deixado dinheiro nos cofres do Estado. Dias antes, o semanário português Expresso publicava uma entrevista em que Lourenço lamentava ter encontrado os “cofres vazios”.

 

“Investir num país em crise é um acto de patriotismo”

Uma outra acusação de João Lourenço, sem citar nomes, parece ter como alvo a empresária que, entretanto, diz não ter a mesma “percepção nem interpretação”

"Só mesmo a falta de patriotismo pode levar um cidadão nacional a desencorajar o investimento privado estrangeiro no seu próprio país, que pode trazer emprego e o pão à mesa dos angolanos", acusou João Lourenço na reunião da cúpula do MPLA.

“Criar empregos e investir num país em crise é, sem dúvidas, um acto patriótico e de solidariedade com os meus compatriotas. Por isso, digo que, com esta afirmação, não está a referir-se à minha pessoa,” responde Isabel dos Santos.

As palavras proferidas por João Lourenço, por ocasião do congresso, assemelham-se à resposta que deu, na conferência de imprensa na visita à Alemanha em Agosto, quando questionado sobre um comentário de Isabel dos Santos feito em Junho. "Qual o investidor que vai entrar se não dão autorização aos actuais investidores estrangeiros para levarem os lucros em dólares", questionava Isabel dos Santos.

"Não queria entrar em mesquinhices deste tipo para uma cidadã nacional que desencoraja o investimento para o seu próprio país”, respondeu João Lourenço.

Por outro lado, analisando, na generalidade, o discurso de João Lourenço, a empresária considera que “não teve grandes novidades e os temas tratados foram praticamente os mesmos”. 

Braço de ferro político

O ano fica marcado pelos ataques de João Lourenço à anterior governação de que ele até fez parte durante dois anos como ministro da Defesa. Em particular, sobre as decisões directamente ligadas aos filhos de José Eduardo dos Santos. As duas filhas, Isabel dos Santos e ‘Tchizé’ dos Santos, têm recorrido às redes sociais para defender o pai. Em contra-ataque, João Lourenço usa os discursos e conferências de imprensa, sem, no entanto, citar nomes.