Primeira fábrica de embarcações desportivas

Rukka procura afirmação e reconhecimento

Dominando a tecnologia da fibra de vidro e resina, a Rukka é a única fábrica cem por cento angolana a fazer embarcações desportivas. Paulo Reis, o proprietário, queixa-se da falta de financiamento dos bancos e necessita de uma parcela de terreno de um hectare para a construção de um espaço definitivo.

Rukka procura afirmação e reconhecimento
Mário Mujetes
Produção de Canoas
Paulo Reis

Paulo Reisfundador da Rukka

A empresa conta com 10 trabalhadores, mas esteve paralisada por um ano, devido à falta de matéria-prima

Após vários anos de experiência, associada à paixão pela canoagem, Paulo Reis decidiu criar a primeira e a única fábrica de construção de embarcações desportivas. Hoje, fabrica embarcações de fibra de vidro (kayaks escola/competição, lazer, pesca, pranchas de Sup (stand uppaddle boards) e vários modelos de remos. Ainda possui competência para produção de outros modelos de embarcações náuticas para vela e remo.

Com dez funcionários, a fábrica tem capacidade para a produção de 12 embarcações desportivas e cada uma está orçada em 350 mil kwanzas, mas Paulo Reis sublinha que “não encontra lucros”, mas vai lutando para conseguir aberturas financeiras para comprar matérias-primas.

Paulo Reis queixa-se que não tem beneficiado de incentivos fiscais, nem da Lei do Mecenato e deseja ser parceiro dos clubes. Nascida há 19 anos, no fundo do quintal da casa da mãe de Paulo Reis, a fábrica localiza-se em Viana, na via-expressa.

A pagar renda e com a crise económica desde 2014, Paulo Reis volta a queixar-se de que muitos amantes da modalidade ainda duvidam da qualidade dos produtos nacionais. Quanto mais embarcações, preferindo produtos comprados no exterior.

A empresa conta hoje com 10 trabalhadores, mas esteve paralisada durante um ano, devido à falta de matéria-prima, e com a chegada de um contentor com novos equipamentos, Paulo Reis promete “atacar forte” o mercado, utilizando novas tecnologias para a construção de embarcações.

 

Falta de Reconhecimento

O fundador da Rukka também reclama da falta de reconhecimento do Estado. No seu atelier, há vários barcos em construção, em acabamentos e outros em reparações. Igualmente os interessados são confrontados com várias tipologias de kayaks em exibição, com várias cores ao gosto do cliente.

Nas várias visitas dos ministérios da Juventude e Desportos e Indústria, a instituição recebeu promessas e reconhecimento do seu trabalho. Paulo Reis entende ser “necessário valorizar o selo ‘feito em Angola e made in Angola’”. O fundador defende uma maior abertura aos empresários nacionais para criarem e manterem postos de trabalho.

 

Massificação da Modalidade

Além da vertente comercial, e apercebendo-se do fraco poder financeiro dos clubes, a Rukka também quer apostar no remo e canoagem. Criou um projecto denominado Rema Angola. Paulo Reis gostaria de ver mais clubes a praticar estas modalidades.

Em 2002, em colaboração com a comissão instaladora de remo e canoagem, Rukka fabricou 44 embarcações (kayaks escola e olímpicos) que a comissão presenteou aos Clubes Naval, Náutico, 1.º de Agosto, Lobito Sport Clube e Casa do Pessoal Porto do Lobito.“Angola tem boas condições para esta prática”.