Zungueiras de Luanda em protesto pelas ruas

“João Lourenço, se prepara”

Em Luanda, cerca de 100 zungueiras marcharam do São Paulo até arredores do palácio presidencial. O objectivo era denunciar os atropelos que estão a ser verificados durante a ‘Operação Resgate’, em vigor há um mês.

“João Lourenço, se prepara”

Com um cântico, versão da música dos ‘Agres’ do Sambizanga, um grupo do estilo kuduro, as vendedoras recriaram um tema: “João Lourenço, se prepara/as zungueiras estão a vir/você fatigou o arreiou/nossos filhos estão a chorar”. A nova versão foi entoada esta semana, por cerca de 100 zungueiras que vendem no São Paulo, na zona conhecida por ‘arreiou’, situada junto à ‘gajajeira’, quando marchavam em direcção ao palácio presidencial.

As vendedoras, mesmo ‘impedidas’ por um grupo pequeno de polícias, chegaram a ‘franquear’ as portas do palácio presidencial, passando defronte ao Instituto Nacional de Luta Contra Sida, atravessando entre o Palácio da Justiça e o Ministério da Defesa Nacional, sempre com o mesmo cântico. Esta manifestação foi motivada pela retirada das mercadorias nos locais em que têm sido guardadas, vulgos ‘casa de processo’, por parte da Polícia Nacional e da Fiscalização, denunciaram as vendedoras.

No prazo de um mês, as vendedoras realizaram duas marchas. A primeira saiu do São Paulo até à portaria da Televisão Publica de Angola. As duas tiveram o mesmo propósito: “denunciar” os exageros que estão a ser praticados durante a ‘Operação Resgate’, que teve inicio a 6 de Novembro e que, segundo o Governo, “visa reforçar a autoridade do Estado em todos os domínios e reduzir os principais factores desencadeadores da desordem e insegurança”, bem como os da violência urbana e da sinistralidade rodoviária, aperfeiçoar os mecanismos e instrumentos para a prevenção e combate à imigração ilegal, e proibir avenda de produtos não-autorizados em mercados informais.

 

Agentes punidos

A Polícia Nacional vai sancionar os agentes que cometeram excessos, na última segunda-feira, durante a recolha de bens das vendedoras do mercado da Gajajeira, em Luanda.

Durante a entrega de viaturas a órgãos do Ministério do Interior, Ângelo da Veiga Tavares reconheceu que a acção dos agentes foi a “menos correcta e resultou no mal-estar e manifestação das vendedoras”. Segundo a Angop, o governante confirmou igualmente que as vendedoras “já estão a receber os seus produtos, retirados das casas de processo”.

 

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