Domingos Pascoal, presidente da Federação Angolana de Esgrima (FAE)

“Esgrima encontra-se nos cuidados intensivos”

Sem sede, sem orçamento e sem clubes, a Federação Angolana de Esgrima (FAE) vai sobrevivendo como pode. Nem tem material desportivo, porque o que chegou de oferta está retido no Porto de Luanda. O presidente Domingos Pascoal promete não deixar morrer a modalidade e vai pedir uma intervenção do Ministério da Juventude e Desportos.

“Esgrima encontra-se nos cuidados intensivos”

Sem sede, por falta dinheiro, a actual direcção da FAE depende da solidariedade do Comité Olímpico Angolano, que disponibiliza uma sala

Federação Angolana de Esgrima (FAE) garante ter recebido equipamentos de uma organização internacional que se encontram retidos no Porto de Luanda. Domingos Pascoal, líder da FAE, afirma não ter dinheiro para levantar o material e vai pedir apoio ao Ministério da Juventude e Desportos.

Este é mais um dos muitos problemas com que a modalidade se debate. Domingos Gaspar não tem dúvidas de que a esgrima se encontra “nos cuidados intensivos”. A federação não tem sede, nem orçamento, o que se associa à falta de clubes.

A FAE foi fundada a 18 de Agosto de 2015 e nunca recebeu verbas do Estado, através do Ministério da Juventude e Desportos, garante o presidente federativo. Algumas iniciativas são feitas graças às contribuições pessoais e de famílias que gostam da modalidade. Domingos Pascoal sublinha ainda que as famílias também se cansaram, atendendo ao actual momento que o país vive e vão perdendo os poucos praticantes de que a modalidade ainda dispunha. 

 


Luz ao fundo do túnel

Apesar de muitas lutas para se impor no meio de outras modalidades com maior expressão, Domingos Pascoal refere existir ainda uma ‘luz ao fundo túnel’, como são os equipamentos desportivos que se encontram retidos no Porto de Luanda. E, para dinamizar a própria modalidade, augura nos próximos tempos organizar um curso de treinador e quer saber junto do Ministério da Juventude e Desportos se conta com a esgrima ou não.

O Futebol Clube Vila Clotilde é, nesta altura, a única agremiação desportiva que conta com um núcleo de esgrima, mas a ‘passo de camaleão’ por falta de apoios financeiros e desportivos. O dirigente assegura que o passo pode ser maior por dispor de professor de educação que deseja aprender e transmitir aos alunos. Domingos Pascoal conta que a modalidade “não é cara” e tem “custos menores”, devido à durabilidade do próprio equipamento de combate.

 


RAZÕES POLÍTICAS

Domingos Pascoal nega existir qualquer possível boicote no seu trabalho, mas aponta as “razões políticas” que estão na base da não-afirmação da modalidade. As mudanças verificadas nos últimos anos com a troca de ministros na Juventude e Desportos como Gonçalves Muadumba, Albino da Conceição e Ana Paula Sacramento levaram a que a esgrima fosse “esquecida”. 

 

Sem sede, por falta dinheiro, a actual direcção da FAE depende da solidariedade do Comité Olímpico Angolano, que disponibiliza uma sala. Além de Luanda, a esgrima também é praticada de forma de tímida em Malanje, Huíla e Cabinda, com a criação dos centros de formação de esgrimistas.

 


 

Desporto de luta  

A esgrima é um desporto de combate em que os competidores (esgrimistas) utilizam armas brancas para atacar e defender. Relatos da prática da esgrima remontam ao século 16. Em França, no período do absolutismo (séculos 17 e 18), havia competições de luta com a utilização de sabres e espadas. Em 1896, a esgrima passou a fazer parte dos Jogos Olímpicos de Atenas. 

Uma luta de esgrima tem a duração de três assaltos, sendo que cada um tem a duração de três minutos. São utilizadas três armas brancas: florete, espada e sabre. A espada e o florete, que medem 1,10 m, podem ser usados no combate somente para atingir o adversário com a parte da ponta. O esgrimista ganha pontos quando toca a região do tronco do adversário com o florete. A espada pode ser usada para atingir qualquer parte do corpo do adversário. Já o sabre (com até 1,05 metros) pode ser usado para atingir, com a ponta ou lâmina, a região da cintura ou acima. 

 

Cada vez que um esgrimista toca o colete do adversário é marcado o ponto eletronicamente, através de sensores. Ganha o combate o esgrimista que somar mais pontos. Os esgrimistas usam roupas especiais para o combate, com o propósito de evitar ferimentos. Máscara metálica, luvas e colete protector são equipamentos obrigatórios para os homens. Além destes equipamentos, as mulheres usam também protetores para os seios.